São mostradas cenas violentas da atuação de policiais nas manifestações contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo, em 2013, que ficaram conhecidas como as "jornadas de junho"; os protestos contra a Copa do Mundo, em 2014; as ocupações das escolas por estudantes secundaristas paulistas, em 2015, e os atos contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre 2016 e 2017.
Em depoimentos de manifestantes presos e agredidos são narradas histórias de agressões injustificadas, torturas físicas e psicológicas, abuso de poder, flagrantes forjados e toda sorte de atos contestados por especialistas em segurança pública e militantes de direitos humanos.
São entrevistados o ex-secretário de Segurança Nacional, Luiz Eduardo Soares, e o tenente-coronel PM Adilson Paes de Souza, na reserva, defendendo uma mudança de postura da corporação militar, que consideram despreparada para enfrentar manifestações de rua, fazendo uso de uso desproporcional de força e munição. “Os policiais não conhecem os limites de sua atuação”, constata o militar.
Reviver essas cenas de truculência policial em passado tão recente, captadas graças à ação de jornalistas independentes, causa apreensão não só às pessoas e organizações comprometidas com a defesa dos direitos humanos, como também ao simples cidadão que, a qualquer momento, pode ser uma nova vítima.
O filme de di Giacomo chega às telas em um momento dramático vivido pelo País e precisa ser visto como documento de um período de arbítrios que precisa ser revisto e encerrado.
