A casa do medo – Incidente em Ghostland é um terror que, por algum tempo, consegue enganar como algo original. Escrito e dirigido pelo francês Pascal Laugier (O homem das sombras, e a versão original de Mártires), o filme tenta elevar – ou extrair algo de novo – da velha história de casas invadidas por loucos sanguinários. Mas nem a direção de arte caprichada com bonecas grotescas e a reviravolta conseguem injetar algum frescor.
Pauline Keller (Mylene Farmer) está de mudança com suas duas filhas adolescentes para uma casa que herdou de uma tia numa região isolada. Uma delas é Beth (Emilia Jones), mais tímida e que passa o tempo lendo H. P. Lovecraft, o escritor de fantasia e terror anodinamente evocado no filme de vez em quando; a outra é Vera (Taylor Hickson), uma adolescente típica e mimada que disputa a atenção da mãe com a irmã.
Ainda na estrada, Vera provoca o motorista de um caminhãozinho que vende doces, mostrando-lhe o dedo. Mal chegam em casa, e as três são atacadas por uma pessoa que parece ser uma mulher (Kevin Power), e um gigante um tanto idiota (Rob Archer). O que sucede é pura violência gratuita. Logo o filme avança no tempo, e Beth (Crystal Reed) tornou-se uma escritora de terror de sucesso, que acaba de lançar um livro sobre o ataque.
Sua vida é perfeita, não fosse a ligação que recebe da irmã (agora interpretada por Anastasia Phillips) que nunca se recuperou daquela noite de terror e perdeu a razão. Beth deixa o marido e o filho e volta para a antiga casa para ajudar a mãe a cuidar da irmã. Logo depois que ela chega lá, o roteiro de Laugier faz sua grande virada. Não é uma sacada ruim, embora não muito original, e até funciona dentro da trama de A casa do medo.
Existe um cuidado visual grande, tanto da direção de arte – assinada por Sara McCudden e Gordon Wilding – quanto da fotografia, de Danny Nowak, o que coloca o filme alguns degraus acima dos terrores genéricos que assolam o cinema nos últimos anos. Mas o gosto de Laugier pela violência gratuita reduz a efetividade do longa. O roteiro não se dá ao trabalho de aprofundar os vilões. Quem são eles? Porque fazem isso? A única obsessão aqui – da dupla de assassinos e do cineasta – é fazer jovens mulheres sofrer e jorrar sangue sempre que possível. O mais estranho é como isso saiu do filme e ganhou a realidade, pois, durante a filmagem de uma cena, a atriz Taylor Hickson sofreu um acidente que a deixou com uma cicatriz no rosto e, por conta disso, processou os produtores do longa.
