Três mulheres, três países. Dentro de todo o desencontro acabam tendo suas vidas cruzadas. Uma metáfora para o grande reencontro após a diáspora. A eterna busca do povo judeu é representada pelo cotidiano destas mulheres. No primeiro segmento, Rivka (Shulamit Adar), uma francesa que mora em Israel e perdeu toda a família em campos de concentração poloneses, faz uma viagem de turismo. Durante uma visita ao cemitério judaico de Varsóvia, afasta-se do grupo e perde o ônibus de volta para o hotel. No dia seguinte, magoada com o marido que nem notou sua falta no dia anterior, faz o percurso até Auschwitz, completamente alheia ao que acontece à sua volta. Apenas pensa em sua solidão e na falta de amor de seu marido. Tudo o que perdeu ou o que nunca teve.
Ao mesmo tempo, Regine (Liliane Rovere) recebe a visita de um senhor idoso em Paris. Alguém com o mesmo sobrenome e que pode ser o pai que achava ter morrido num campo de concentração. Mas, com o passar do tempo e das conversas, percebe que o que os une são apenas histórias comuns. O homem, quase desmemoriado, provoca ternura. Alguém que conseguiu fugir dos horrores da guerra, mas ficou do outro lado, a Cortina de Ferro, por longos anos. Reconhecendo nele a mesma busca do passado, Regine resolve auxiliá-lo a encontrar a filha que ele acredita ainda estar viva.
Enquanto isto, Vera (Esther Gorintin), uma mulher de 85 anos e sozinha na sua aldeia russa, viaja para Israel na companhia de vizinhos, para tentar encontrar uma prima. Visivelmente impregnada de lembranças remotas, espanta-se ao chegar a Israel e percebe a dificuldade em se comunicar em iídiche. A crença num país ideal, falando uma única língua, só não cai por terra ao encontrar uma mulher que além de falar o idioma que pensava comum a todos os judeus, a orienta em sua volta ao hotel, em Jerusalém.
A busca destes personagens é a busca de todos nós. Encontrar a origem, falar a mesma língua, viver o afeto perdido, não é o tormento de um só povo. Faz parte de toda a Humanidade, assim como a necessidade de suplantar antigos rancores, acreditando numa nova vida. Mesmo que ela seja breve. Um dos mais pungentes retratos da alma humana, merece muito mais do que prêmios, merece ser visto e sentido.
