É um filme didático, com formato televisivo, escolhido provavelmente para atingir um número maior de pessoas e poder ser utilizado como material para debates pelo País afora. Não é um defeito, pois a causa que defende é maior do que ficar preso a um modelo estético. Mas também é um fator limitante para um documentário. Vemos as boas práticas apresentadas, mas sentimos falta de um retrato mais dramático da atual situação vivida pelo País e dos riscos que se avizinham.
A violência no campo na disputa pela terra, a paralisação da reforma agrária, o cerco aos povos indígenas e os assassinatos de ativistas - o número mais elevado do mundo, como o próprio filme revela, citando dados da ONG Global Witness (46 mortos em 2016) - poderiam ser mais aprofundados.
Ao final fica uma imagem idealizada de como as empresas podem ser parceiras na defesa da natureza e de como o consumo consciente pode salvar o meio ambiente. Na verdade, precisamos de muito mais. Como um dos próprios entrevistados define, iniciativas individuais como a separação do lixo reciclável representam muito pouco diante do que as empresas poderiam fazer. É como lavar a louça durante um incêndio, como ele define.
