Gaspard (Félix Moati) e Laura (Laetitia Dosch) se conhecem num trem e, antes mesmo de saber o nome um do outro, ele a convida para acompanhá-lo ao casamento de seu pai – com quem não tem contato há anos. Ele precisa de uma “namorada” e ela é a pessoa perfeita. Ao chegar à casa do “sogro”, descobre que a família mora num zoológico e que a vida dela é muito sem graça – tanto que confessa, “nunca me aconteceu nada de interessante, e a você, sua mãe foi devorada por um tigre”.
Esse é só o começo de A excêntrica família de Gaspard, escrito e dirigido por Antony Cordier (Para poucos), que transita entre a comédia e o drama. Há o farsesco de Laura fingindo ser a namorada do protagonista, mas há também anos de ressentimentos e diferenças que separam os membros da família.
Cordier, em seu filme, busca os paralelos entre o comportamento dos humanos e dos animais – e os primeiros se revelam mais estranhos e menos civilizados do que os segundos. A irmã caçula, Coline (Christa Théret), e o pai, Max (Johan Heldenbergh), são os personagens mais interessantes – e ela tem uma admiração pelo irmão que beira o incesto. Além de tudo, o zoológico da família está à beira da falência.
A bela fotografia de Nicolas Gaurin (Insubstituível) se destaca, ressaltando a luz natural e os animais. O filme, como um todo, no entanto, nem sempre consegue superar esquematismos e a dupla de protagonistas não muito interessante. Por isso, a irmã caçula e o pai acabam roubando a cena.
