27/06/2026
Documentário

The cleaners

Quem são os homens e mulheres que têm o poder de censurar posts, imagens e vídeos nas redes sociais? Esse documentário alemão vai até as Filipinas conhecer os funcionários de uma empresa terceirizada que são responsáveis por esse serviço.

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Ganhador de uma Menção Honrosa no Festival É Tudo Verdade de 2018, o documentário The Cleaners tem um bom tema, mas não muito bem explorado. Quem controla o que é visto nas redes sociais? Em outras palavras: quem são os censores dessas plataformas? Conforme explica um dos entrevistado, esses sites e aplicativos se tornaram quem pauta a primeira página dos jornais no mundo todo, mas são dirigidos por profissionais de tecnologia, não de comunicação.
 
Dirigido pelos alemães Hans Block e Moritz Riesewieck, esse é um filme que, como se diz em linguagem popular, chove no molhado, ao mapear muito pouco que não se sabe sobre a censura nas redes sociais, feita, conforme mostra o documentário, por funcionários terceirizados nas Filipinas. Esqueça aquele ambiente hipster e descolado dos escritórios do Google e Facebook, aqui o cenário é outro, assim como o salário, que mal cobre os males do trabalho adquiridos por essas pessoas.
 
Vemos diversos funcionários na frente de telas de computadores tomando decisões editoriais, apenas dizendo os comandos “ignorar” ou “deletar”. Mas, conforme lembra o documentário, são resoluções feitas por seres humanos, e, mesmo tendo um certo parâmetro a seguir, são passíveis de subjetividade. Para exemplificar isso, vemos dois casos: um apoiador do sanguinário presidente filipino Rodrigo Duterte (que aparece em cena de arquivo aqui se comparando à Hitler); e uma mulher que se proclama responsável por limpar as redes sociais dos pecados, deletando todas as fotos de nudez (até mesmo de obras de arte), e que sonha com pênis quando dorme. Como confiar nos vereditos dessas pessoas sobre o que deve ficar ou sair do Facebook?
 
O filme explora diversos casos de censura do Facebook ao redor do mundo, como o massacre de rohingyas em Myanmar, onde “o facebook é a internet”, conforme diz um morador local, ao explicar que ninguém lá acessa e-mails ou sites de notícias, e com isso as fake news são disseminadas com rapidez. Outro exemplo é na Turquia, onde o governo diz ao Youtube quais vídeos podem ser exibidos no país.
 
A falta de foco compromete um tanto a estrutura do filme. São diversas histórias de diversos cantos do mundo – o Brasil, por exemplo, é representado por uma breve fala do sociólogo Leandro Machado –, todas niveladas sob o mesmo prisma. Executivos e ex-funcionários de empresas como Google e Facebook são entrevistados, e seus discursos não poderiam ser mais politicamente corretos e sensatos sobre como a internet deve ser vigiada. Mas, como se sabe, na prática não é bem assim que as coisas acontecem. Talvez a maior falha do filme está em não abordar o que, no fim das contas, está determinando a ação dessas plataformas: os lucros – fazendo o documentário soar um tanto ingênuo, embora pertinente em suas questões. 
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