19/07/2026
Suspense

O Caravaggio roubado

Valeria é secretária de um produtor de cinema, que se envolve com um roteirista para quem escreve filmes em segredo. Ela é procurada por um sujeito misterioso que quer lhe contar como se deu o roubo de um famoso quadro de Caravaggio há meio século. Mas essa é uma história que a máfia não quer que seja contada.

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Essa é uma história que a máfia italiana provavelmente preferiria que ninguém contasse, mas dado o resultado final do suspense/drama/comédia do diretor e corroterista Roberto Andò (As confissões), os mafiosos nem precisam se preocupar muito. O Caravaggio roubado é confuso, acima de tudo, e indeciso no que quer dizer e como dizer.
 
Escrito por Andò, Angelo Pasquini e Giacomo Bendotti é um filme que vai acumulando pequenas histórias que deveriam se complementar, mas nunca são bem resolvidas, quem dirá combinadas a outras que deveriam reverberar. Tudo começa com Valeria (Micaela Ramazzotti), secretaria numa produtora de cinema que ganha secretamente um dinheiro extra como ghost-writer para um roteirista da casa, Alessandro (Alessandro Gassman), e promessas de namoro por parte dele, que anda há anos sem inspiração.
 
Ela é procurada por um homem misterioso (Renato Carpentieri), com uma história ainda mais misteriosa de quando a Cosa Nostra roubou um quadro de Caravaggio, chamado Natividade com São Francisco e São Lourenço, 50 anos atrás. É uma trama, por si só rocambolesca na qual o filme insiste em adicionar camadas que em nada ajudam. Primeiro é o sujeito contando a Valéria o roubo, e ela escrevendo um roteiro em nome de Alessandro, que será produzido por um aristocrata (Gaetano Bruno). Não custa muito, a máfia, que tem relações com o nobre, descobre tudo e quem paga a conta é o roteirista que acaba hospitalizado. Valeria assume um pseudônimo, abre um novo e-mail e continua a enviar as cenas do filme para seu chefe, sem que ele desconfie que seja ela.
 
Nisso, um cineasta renomado Jerzy Kunze (Jerzy Skolimowski) aceita dirigir o longa e não quer perder tempo, viaja para a Sicília para filmar enquanto o roteiro está sendo redigido (algo completamente irreal). Nada faz muito sentido, mas seria possível fazer vista grossa a tudo isso se o filme nos desse algo em troca. A trama de suspense é estapafúrdia, e o quadro do Caravaggio um mero chamariz para o filme que poderia contar uma história envolvendo qualquer quadro roubado – não precisava nem ser real.
 
Talvez fosse mais proveitoso se o filme investigasse apenas o desaparecimento do Caravaggio, um episódio cujo último desdobramento se deu no ano passado, quando Gaetano Grado confessou que o quadro foi cortado em oito pedaços e vendidos. O longa até ensaia algumas possibilidades do destino da pintura (ter servido de comida de porcos é uma delas), mas a acumulação de historinhas o transforma num filme-lasanha na qual nenhuma das camadas está bem preparada e pronta para servir.
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