O documentário Amazônia Groove, de Bruno Murtinho, tem uma proposta, no mínimo, inusitada e criativa: explorar a intersecção da força da natureza da Amazônia paraense e a potência musical da região. O resultado é um filme com belas imagens e ótimo som que traz uma parte do Brasil não muito vista no cinema.
A fotografia de Jacques Cheuiche, premiada no festival South by Southwest, aproveita ao máximo a beleza natural da Floresta, com suas nuances de cores, contrastes entre as árvores, rio e céu, criando uma espécie de paleta tropical que agrada a brasileiros e estrangeiros. Mas é no som que o filme se concentra, trazendo figuras peculiares com ritmos próprios e com riqueza de diversidade – como Carimbó, Búfalo Bumbá, Guitarrada, violão clássico amazônico e tecnobrega, entre outros.
“Quanta fé e ancestralidade transporta esse rio? Quantas músicas cabem nesse rio”?, pergunta uma voz, no início do filme. E é a essa pergunta que Amazônia Groove tenta responder. A multiplicidade musical é impressionante, e acompanhamos de ponta a ponta o que se produz ali, desde o já clássico-local, como o instrumentista Sebastião Tapajós e Dona Onete (cujo som ela mesma chama de “carimbó chamegado”) até Gina Lobrista, jovem que vende seus CDs num mercado popular.
Murtinho, conhecido diretor de vídeo-clipes, encontra um ritmo próprio na narrativa do seu documentário, é como se a montagem – assinada por Pablo Ribeiro – acompanhasse a cadência do rio e dos ritmos dando tempo para cada figura contar suas histórias, apresentar a sua música. Há uma organicidade na forma como o longa é estruturado, evitando o risco de virar uma mera colagem de pessoas e sons exóticos. O respeito que o diretor tem pelos músicos e cena é grande, e isso fica claro. Seria muito fácil encontrar o que há de mais peculiar em cada um ali, e explorar até virar algo um tanto sensacionalista, mas o filme evita isso.
