De todo modo, os atores Everaldo e Rita se completam num diálogo, inclusive físico, sobre os limites da existência - velhice/juventude, vida/morte - no contexto da iminente passagem de um asteroide, que abalará a gravidade na região da Baía de Todos os Santos. Nestas interações de Bené com outros personagens é que o filme expressa melhor seu retrato de um Brasil brejeiro, de leveza, de amor, de sonho contrapondo-se à brutalidade de ruas sujas e de pessoas abandonadas que, ainda assim, afirmam como podem seu direito à existência.
Entremeando a narrativa, bem-vindas homenagens cinematográficas a A Doce Vida (cena do helicóptero carregando uma estátua), Glauber Rocha (sequência final que lembra o epílogo de Deus e o Diabo na Terra do Sol), além da homenagem nominal aos diretores Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e Luiz Paulino dos Santos, irmãos de fé de Navarro na expressão de um cinema libertário e amoroso com seus personagens miúdos.
