21/07/2026
Comédia

Boas intenções

Isabelle leva uma vida de classe média bastante confortável e, por isso, está sempre disposta a ajudar os pobres e refugiados da Paris. Porém, às vezes, isso acaba causando problemas para ela e para eles, o que não a faz parar. Mas chega uma hora em que precisa repensar seus atos de bondade.

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Boas intenções, como já indica o título, é um filme repleto delas – intenções críticas, que fique claro. Dirigido por Gilles Legrand, traz como protagonista Agnès Jaoui, no papel de uma mulher que faz de tudo para ajudar o próximo, mesmo quando esse próximo não quer sua ajuda.
 
Isabelle é uma mulher na faixa dos 50 anos, de classe média, muito bem intencionada, a ponto de pegar escondido roupas da filha e doar para moradores de rua. Ela é professora de francês numa escola onde leciona para refugiados dos mais diversos cantos do mundo. Em casa, no entanto, a situação não é muito boa, pois o casal de filhos e o marido, Ajdin (Tim Seyfi), que ela conheceu quando ajudava num conflito na Bósnia, a acusam de negligência.
 
Roteirizado pelo diretor e Léonore Confino, o filme é uma clara crítica à parcela progressista, repleta de boa vontade e disposta a ajudar, mas que mede as necessidades dos outros pelos seus próprios parâmetros. Por isso mesmo, às vezes acaba mais atrapalhando do que ajudando. É claro que isso tudo é mostrado pelo viés do humor e com um certo cinismo.
 
Jaoui é uma ótima atriz, especialmente em comédia, e sustenta a personagem com muita dignidade. Isabelle é sincera em seu desejo de ajudar, mas passa dos limites e chega a ser chata e inconveniente. Mas é humana, portanto, passível de sentimentos negativos também. E isso se dá especialmente quando uma professora alemã, Elke (Claire Sermonne), chega à escola, logo se torna a mais popular e a protagonista fica enciumada.
 
Essa burguesa humanista é a alma desta sátira, que, em alguns momentos, carrega nos estereótipos dos refugiados mesmo. Vindos das mais diversas partes do mundo, eles agem e pensam muito como caricaturas cômicas, diminuindo assim o potencial do filme. Há um brasileiro, por exemplo, interpretado pelo português Nuno Roque, que anda o tempo todo com a camisa verde e amarela da seleção e se mostra o mais tapado do grupo.
 
A trama anda quando Isabelle percebe que seus alunos não conseguem emprego porque – fora não saberem falar francês – não têm habilitação. Então, ela procura a ajuda de um instrutor de uma escola ao lado da dela, Attila (Alban Ivanov), com quem ela vive brigando. O filme encontra aí alguns momentos de humor, mas também a grande lição de sua protagonista. É preciso que Isabelle aprenda a ser caridosa – e, no fundo, mais generosa –, e que suas boas ações vão realmente ao encontro da necessidade daqueles que as recebem, e não apenas satisfazer seu próprio ego de altruísta. 
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