20/07/2026
Comédia

O homem ideal?

Rubén é um professor neurótico e depressivo que não tem sorte com as mulheres. Jaume e Raquel são um casal de amigos, e parecem viver uma relação exemplar. Eles tentarão arrumar uma namorada para o outro.

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Escrito, dirigido e protagonizado pelo valenciano Carles Alberola, este é um filme que chega ao cinema com um ar, no mínimo, anacrônico. A posição em que coloca as personagens femininas – mesmo que involuntariamente – não tem (ou, ao menos, não deveria ter) espaço no cinema do presente. É um daqueles filmes enfadonhos sobre homens chatos em uma posição um tanto vitimista, em busca de uma mulher que o aceite como ele é – em outras palavras, capaz de perceber como ele é genial, já que nenhuma outra até agora percebeu.
 
Alberola é Ruben, um professor universitário em busca de um amor. Ele é culto – enquanto espera a candidata a namorada trazida por uma amiga, finge ler -, bom de cozinha e bem-intencionado. Porque raios então está sozinho? Ele é o típico loser, ou, como se diz em espanhol: el perdedor. O filme transforma isso numa piada e a repete três vezes, mesmo não tendo graça nem na primeira ocorrência. Por trás desse verniz de fracassado, o filme se coloca com o protagonista: ele só é um homem mal compreendido.
 
A mulher de seu amigo Jaume (Alfred Picó), Raquel (Cristina García), promete trazer uma amiga à casa de Ruben para o jantar, no intuito de unir os dois. A primeira amiga desiste, a segunda também, sobra apenas a irmã dela, Pilar (Rebeca Valls), mais jovem do que o trio, em trajes quase mínimos e sexualmente livre (um personagem ressalta que ela é capaz de ter orgasmos múltiplos, mas, tal constatação serve, acima de tudo, para enaltecer o ego dele). A jovem desconhece limites, e é, diz o filme, o "sonho de consumo" para qualquer homem.
 
Filmado como uma peça de teatro, praticamente em um único ambiente, O homem ideal? é um filme que se constrói em seus diálogos e personagens. As femininas são grosseiramente caricatas. Raquel, que passou 40 anos casada com o mesmo homem, se sente diminuída por isso, mas nem por isso está desesperada para conseguir a aprovação do marido e de Ruben em seus atos e escolhas. Outra mulher, que nem aparece em cena, tem 50 anos, mas os amigos garantem – para tranquilizar o protagonista – que a aparência dela é de 40.
 
Ainda bem que há um ponto de interrogação ao final do título de O homem ideal? Fosse isso uma afirmação, a humanidade provavelmente estaria com os dias contados. 
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