Os jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida, cria uma ficção a partir de uma caixa de fitas VHS encontradas numa grande fazenda no sul de Minas Gerais, que registram as últimas férias de oito jovens, herdeiros da família mais rica e importante do lugar, depois desaparecidos sem deixar vestígios.
Boa parte do filme utiliza essa estética de vídeo, em janela estreita, através da qual conhecemos estes jovens ricos e despreocupados, em momentos de lazer e conversas que aos poucos infiltram uma certa incerteza sobre seu próprio futuro. O contraponto está em imagens mais atuais, supostamente da diretora como personagem da história, como uma pessoa da região que conheceu os protagonistas e hoje reflete sobre este súbito e misterioso desaparecimento.
O jogo do filme, visivelmente, é lançar para o espectador suas lacunas, levando-o a participar de um exercício imaginativo sobre o que não se sabe, não se conta e talvez nunca se possa descobrir com certeza sobre estas pessoas, que deixaram para trás apenas estes VHS, o derradeiro testemunho de sua passagem na terra, extinguindo a família com seu desaparecimento – uma evidente metáfora sobre o fim de uma certa aristocracia e do vazio da herança deixada no seu rastro.
