Mesmo eventualmente comprometido por um certo esquematismo no desenvolvimento de suas sttuações, Filhas do Sol consegue invocar simpatia por suas intrépidas personagens e suscitar interesse pela experiência peculiar destas guerreiras. Faltou um pouco de experiência à diretora para filtrar alguns excessos.
Combatentes contra o ISIS, de quem foram prisioneiras, as guerreiras curdas Yazidi comandadas por Bahar vão partir para resgatar uma localidade. Vai acompanhá-las a repórter francesa Mathilde que, como a comandante, tem pendências familiares a atormentá-la.
- Por Neusa Barbosa
- 18/09/2019
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Diretora de segunda viagem, a francesa Eva Husson participou da competição em Cannes 2018 com este drama escrito e dirigido por ela que focaliza a luta das guerreiras curdas Yazidi contra o ISIS. O tema envolvente é revestido de tintas heroicas e um certo didatismo, o que não impede que o filme mantenha o interesse.
No centro da história estão duas mulheres, a comandante curda Bahar (Golshifteh Farahani) e a repórter francesa Mathilde (Emmanuelle Bercot). Bahar está convencendo seu próprio superior a deixá-la, com seu batalhão inteiramente feminino, partir na recaptura de uma cidade dominada pelo ISIS. Mathilde a acompanhará nesta missão.
Logo de início, não se sabe muito sobre Bahar, uma lacuna que será preenchida paulatinamente ao longo do filme. Tanto a comandante curda quanto a jornalista francesa têm perdas e dilemas familiares em suas vidas, embora o peso não seja evidentemente o mesmo. A distância sentida por Mathilde da filha que ficou em casa não equivale de modo algum ao desespero de Bahar para reencontrar o próprio filho, raptado e supostamente internado numa escola jihadista.
As histórias das integrantes deste batalhão, constituído inteiramente de ex-prisioneiras do ISIS, formam uma coletânea dos horrores praticados por estes fanáticos em suas incursões pelos territórios invadidos, incluindo estupro, tortura e escravidão. Esta perversidade misógina encontra sua contradição no temor dos fundamentalistas de serem mortos por uma mulher - porque aí acreditam que não ascenderão ao paraíso. Um temor que as guerreiras curdas não cessam de estimular.
