18/07/2026
Infantil Aventura Animação

Playmobil - O filme

Depois de perderem os pais, Marla e seu irmão Charlie começaram a brigar. Quando ele foge de casa, os dois acabam entrando num mundo fantástico onde se tornam bonecos Playmobil e o afeto de um pelo outro é colocado em prova.

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Como fazer um filme com bonecos do Playmobil sem que se torne uma longa propaganda dos brinquedos? A resposta pode estar em qualquer lugar, menos em Playmobil – O filme, um longo comercial voltado para despertar ainda mais o desejo de consumo nas crianças pequenas. O diretor Lino DiSalvo se torna uma espécie de vendedor cuja função é mostrar o catálogo completo da coleção. E ele assim o faz a duras penas e piadas sem graça por quase inexplicáveis 100 minutos.
 
O longa começa com os personagens de carne e osso, a dupla de irmãos Marla (Anya Taylor-Joy) e o pequeno Charlie (Gabriel Bateman), vivendo uma vida feliz, e ela lhe contando – ou melhor, cantando – que irá passar um ano viajando antes de ir para a faculdade. Mas a morte dos pais acaba com seus planos. Poucos anos depois, ela trabalha como garçonete para cuidar do garoto, e eles vivem brigando. Uma série de acontecimentos, no entanto, transforma-os em bonecos Playmobil e leva-os a um mundo variado e habitado por esses brinquedos.
 
Marla se transformou numa versão “playmobilizada” dela mesma, enquanto Charlie, num guerreiro viking. E quando um se separa do outro, é a desculpa perfeita para o roteiro de Blaise Hemingway, Greg Erb e Jason Oremland os colocar andando por diversos cenários com os mais variados bonecos – que podem ser comprados na loja de brinquedos do shopping onde se viu o filme ou pela internet. O mundo de fantasia inclui um imperador megalomaníaco, guerreiros das mais diversas tribos e etnias, um hipster dono de foodtruck, um detetive metido a galã, entre outros personagens. Todos garantidamente engraçadinhos com que se brincar, mas enfadonhozinhos de se ver na tela do cinema.
 
O filme do Lego, que é a primeira comparação que vem à cabeça, está a milhas de distância desse Playmobil. O que naquele era picardia e sagacidade, neste filme é tédio e propaganda. O fiapo de história envolve Marla se unir com o hipster para salvar o irmão capturado pelo imperador romano. O longa não foge da obviedade nem do previsível, com lição de moral e momentos emotivos chantagistas. As possibilidades de se fazer uma animação legal eram tantas, mas os envolvidos conseguiram a proeza de fazer todas as escolhas erradas, mirando em algo à la Pixar e acertando num comercial de televisão de quase duas horas.
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