O documentário Humberto Mauro, do sobrinho-neto do pioneiro diretor mineiro, André Di Mauro, teve sua première mundial no Festival de Veneza 2018. Reúne imagens de diversos filmes realizados pelo pioneiro Mauro, recriando através da montagem seu universo de inspirações, especialmente vindas da natureza – “o progresso é antifotogênico”, costumava dizer o diretor de Lábios sem Beijos (1930), Ganga Bruta (1933) e O Descobrimento do Brasil (1936).
Também se incluem participações de Mauro como ator, como em O Canto da Saudade (1952), em que ele interpreta o “coronel” Januário, numa cena em que disputa uma candidatura política que tem um evidente paralelo com este momento de campanha eleitoral (certas coisas parece que não mudam nunca).
Uma das costuras sonoras do filme, que não inclui depoimentos, vem de algumas entrevistas do próprio Mauro, como uma, saborosa, realizada pelo crítico e cineasta Alex Viany.
O resgate deste passado instigante do cinema brasileiro vibra como uma evocação da paixão criativa do pioneiro cineasta, que bem pode inspirar todos aqueles que acreditam que “cinema é cachoeira”, como ele dizia.
