Terceiro longa da diretora chilena Dominga Sotomayor Castillo, Tarde para Morrer Jovem conquistou-lhe um prêmio de direção no Festival de Locarno 2018. O roteiro, assinado por ela, tem algumas referências autobiográficas, ao contar histórias de adolescentes cujas vidas são drasticamente mudadas pela decisão de seus pais de mudar-se de Santiago para formar uma comunidade no campo. Além disso, é o verão de 1990. A longa ditadura Pinochet acaba de terminar, depois de 17 anos.
Logo se estabelece um contraste entre a animação dos adultos, ansiosos por uma nova vida junto à natureza - ainda que isso implique em dificuldades práticas para obter água e eletricidade e estejam sob risco de incêndios florestais - e o tédio dos adolescentes. Estes estão sofrendo de uma espécie de crise de abstinência da cidade, privados que foram de seus ambientes e relacionamentos, numa fase da vida em que vários deles encaram seu despertar sexual.
É o caso de Sofia (Demian Hernández) e seu amigo Lucas (Antar Machado), cujos desejos, no entanto, não caminham necessariamente no mesmo sentido. Todo aquele ambiente isolado e despojado onde agora vivem na verdade acentua um vazio em seu íntimo, uma procura não-preenchida. Sofia também deixou para trás a mãe, que ficou na cidade, vindo apenas com o pai e o irmão menor.
Outra personagem importante é a menina Clara (Magdalena Tótoro), cuja angústia pelas fugas constantes de sua cachorra, Frida, acentuam as dificuldades de sua adaptação e seu crescimento.
Tudo conflui para uma festa de Ano Novo, pensada para fortalecer os laços comunitários e organizada na casa de Carlos (Alejandro Goic) e Elena (Antonia Zegers), ela uma espécie de animadora local, tratada por um certo distanciamento do marido.
A história, um tanto fluida, sem muitas explicações - com uma certa semelhança com o estilo cru da argentina Lucrecia Martel - corre ao longo das experiências dos jovens, particularmente Sofia, que vai ao encontro de algumas aventuras, representadas pelo contato com alguns rapazes mais velhos. É nela, particularmente, que o filme expressa as incertezas deste novo tempo, embora não se façam referências muito específicas à história do país. O naturalismo domina as interpretações, num elenco cheio de novatos, como a própria protagonista, mas também integrado por veteranos tarimbados, como Alejandro Goic (O Clube) e Antonia Zegers (Cachorros, Post Mortem).
