16/04/2024
Documentário

Soldado estrangeiro

O documentário acompanha a jornada de três brasileiros no exterior: Bruno, aspirante a soldado da Legião Estrangeira, na França; Mario faz parte do Exército Israelense; e Felipe foi um fuzileiro naval nos EUA, e agora sofre de PTSD.

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O que leva uma pessoa a deixar seu país e entrar no exército de outro? É essa a pergunta que ronda o documentário Soldado Estrangeiro, dirigido por José Joffily e Pedro Rossi. Para investigar a questão, o longa acompanha três jovens brasileiros. O primeiro deles é Bruno Silva, carioca e evangélico, pai solo, cuja mãe ajuda a criar a filha pequena, e que quer entrar para a Legião Estrangeira, na França. Mario Wasercjer está no Exército Israelense e atua na Faixa de Gaza. Por fim, Felipe Almeida foi um sniper nos EUA, veterano do Afeganistão, depois dispensado e sofrendo de PTSD.
 
O filme investiga três realidades diferentes desses homens em fases distintas em relação ao exército. Bruno é aspirante, passa por uma seleção rígida. Deixou a mãe, a filha e a igreja, na Baixada Fluminense, num cenário de violência, para tentar uma vida melhor em Paris, se aceito pela Legião Estrangeira. Joffily e Rossi têm acesso privilegiado ao cotidiano do rapaz, especialmente dentro do Fort de Nogent, onde se dá a seleção.
 
Das incertezas de Bruno, o filme pula para a segurança de Mario. Morando em Israel, ele conta que, como soldado estrangeiro, tem mais vantagens do que um cidadão nativo: como uma casa e faculdade financiadas, entre outras coisas. Ele é acompanhado em missões, treinamentos e na vida privada, com sua mulher, quando tem folga do trabalho. É curioso como o filme contrapõe esses dois soldados: Bruno, negro e pobre, esforçando-se para entrar na Legião Estrangeira sem falar francês; Mário, filho de classe média paulista, fluente em hebraico, o que certamente facilitou sua entrada em Israel e no exército.
 
A narrativa desse documentário segue uma espécie de evolução de posições dentro de um exército. Depois de um aspirante e um soldado bem colocado, chegamos a aquele que saiu do exército por má condução, e agora tenta limpar seu nome. Felipe não tem a empolgação do novato, muito menos a certeza de Mario. Sua vida é repleta de traumas e uma tentativa incessante de limpar seu nome.
 
Os diretores intervêm bem pouco – explicitamente apenas uma vez, tentando que Mario fale sobre terrorismo, mas o rapaz se nega, alegando que isso pode lhe trazer problemas dentro do exército. Acompanham, assim, a jornada desses três homens que, por motivos distintos, deixaram o Brasil em busca de uma vida melhor em outro país. É uma investigação sobre o que é o exílio por um prisma pouco explorado. Quando muitos filmes retratam imigrantes ilegais, Soldado Estrangeiro opta por outro caminho. Ao colocar militares em cena, investiga a dinâmica do não-pertencimento por outro prisma, daqueles que arriscam sua vida em nome da pátria que adotaram.
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