18/07/2026
Drama Ação

Top Gun - Maverick

Depois de vários anos, o capitão Pete 'Maverick' Mitchell é chamado de volta à sua antiga base, encarregado de treinar os novíssimos pilotos para uma missão quase impossível. Lá vai se reencontrar com ecos de seu passado.

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Trinta e seis anos depois de um sucesso que o alçou à condição de astro, Top Gun: Ases Indomáveis, Tom Cruise volta a cruzar os céus na pele do piloto e capitão Pete ‘Maverick’ Mitchell em missão e voltagem muito mais arriscadas.
 
Resgatando atores do filme original, como Val Kilmer, e investindo numa reciclagem de um enredo de heroísmo em tempos mais do que céticos, Top Gun: Maverick, agora dirigido por Joseph Kosinski, faz uma travessia ousada, na busca de um tipo de diversão empolgante em tempos em que as maiores bilheterias costumam pertencer a adaptações de quadrinhos que têm seres mitológicos e super-heróis como protagonistas.
 
Se há algum humano capaz de fazer frente a essa galera, certamente é Tom Cruise, um astro maduro e todo-poderoso, encarregando-se da produção dos filmes que estrela, famoso por arriscar a própria pele nas sequências mais ousadas. De todo modo, este novo filme teria que contar com um elemento a mais, afetivo e de volta por cima para o capitão renegado, que volta ao seu habitat.
 
Por influência do velho amigo, almirante Tom Kasanski (Val Kilmer), Pete é convocado para treinar um grupo novo de jovens pilotos, escolhidos a dedo entre os melhores da América, para uma perigosíssima missão - que inclui a destruição de um imenso arsenal nuclear, escondido no fundo de um vale montanhoso.
 
O enredo explora bem as rivalidades dentro do grupo, a má vontade de um dos comandantes de Pete (John Hamm) em tê-lo por perto, e, particularmente, as mágoas de um de seus alunos, Bradley Bradshaw (Miles Teller), o filho de seu amigo que morreu, e cuja carreira Pete tentou bloquear - por motivos pessoais.
 
Todo esse imbroglio pessoal caminha em paralelo com os desafios da própria missão, para a qual o capitão tem que treinar uma garotada ousada e competitiva, como Hangman (Glen Powell) e a única moça do grupo, Phoenix (Monica Barbaro).
 
Falando em mulheres, o interesse romântico de Pete é a descolada Penny (Jennifer Connely), mais um capítulo de um passado que renasce para uma reciclagem. A boa notícia é que se trata de uma personagem independente e cativaante, num cenário em que a testosterona evidentemente predomina.
 
É inegável que o contexto da história procura resgatar a surrada noção de uma América heróica e defensora dos valores da democracia, aquela que existia no final da II Guerra e tem sido reiteradamente desmentida pela realidade de muitas guerras depois daquela. Embora a Rússia ou qualquer outro país não sejam mencionados nominalmente, é claro que os donos do arsenal nuclear são países de outro eixo político. Esse detalhe, no entanto, é progressivamente deixado de lado, investindo-se a energia da história nestas relações humanas, com personagens diferenciados e vôos, muitos vôos emocionantes.
 
Desse ponto de vista, não se pode negar: Top Gun: Maverick é diversão de primeira. O bom e velho Cruise está em forma e consegue, de novo, deixar na poeira os heróis superpoderosos dos quadrinhos. Não vai ser fácil aparecer um outro astro como ele.
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