04/06/2026
Documentário

Quincy

Documentário da Netflix acompanha a evolução da música negra norte-americana pelos olhos do compositor, arranjador e produtor Quincy Jones, que fez a passagem do jazz para o pop e influenciou várias gerações de músicos.

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O documentário Quincy, produzido pela Netflix, é um retrato bem humorado e repleto de revelações sobre Quincy Jones, um dos maiores músicos norte-americanos, que começou a carreira como jazzista e hoje não aceita mais esse rótulo, que considera limitador à forma como encara a música contemporânea.
 
Aos 87 anos, sobrevivente de uma grave crise glicêmica, provocada pela diabete, e de dois aneurismas, Quincy Jones ainda demonstra jovialidade. Seus raciocínios são rápidos e seus olhos brilham quando teoriza sobre o futuro da música popular. Ele está por trás de alguns dos maiores sucessos de ídolos do rock, como Michael Jackson (“Thriller”, por exemplo), de trilhas para o cinema, de arranjos para orquestras e de apoio a grandes causas dos negros de seu país.
 
Se Miles Davis, que morreu cedo, deixou sua marca na grande transformação do jazz no século XX, aproximando-o  da rua, Quincy abriu a porta para entender o que estava se passando. Miles incorporou à sua criação o funk e Quincy acolheu o rap e o hip-hop.
 
Filho de pedreiro e neto de escrava, Quincy cresceu num subúrbio negro em Chicago em plena depressão dos anos 30. Só conheceu um branco aos 11 anos e resistiu para não ter o mesmo destino de jovens que se perderam para a criminalidade. A descoberta de um piano, ao entrar à noite em um imóvel, abriu-lhe as portas para um novo mundo.
 
O documentário conta a trajetória do menino pobre intercalando imagens do passado com entrevistas recentes, nas quais o músico abre seu baú de recordações. Fala de seu trabalho com alguns dos maiores nomes do jazz e do pop de forma despretensiosa. É acompanhado pelos seis filhos, de vários casamentos, que agora têm oportunidade de um convívio mais próximo com o pai. Intimidade que não tiveram na infância, pois o pai, workaholic assumido, gastava mais tempo com a criação musical do que com a família.
 
O filme avança, entre recordações pessoais e informações sobre a carreira, enquanto apresenta a nova missão do músico: produzir, ainda na administração Obama, a apresentação de um grande espetáculo musical para marcar a inauguração de um museu do Instituto Smithsonian dedicado à cultura negra.
 
O formato televisivo não reduz o alcance do filme. Estamos diante de um personagem que tem muito a contar e cujas revelações interessam não apenas aos amantes da música, como ao público em geral, interessado em conhecer mais profundamente a rica cultura afro-americana. Ele não conta tudo o que sabe e viveu, mas nos estimula a pesquisar mais e mais sobre esse rico período na história americana.
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