Intercalando imagens de vários filmes de Coutinho, como Cabra Marcado para Morrer, Santo Forte, Edifício Master, Jogo de Cena, Moscou e até do curta de formatura do diretor no IDHEC francês, Banquete Coutinho traz de volta momentos preciosos do maior documentarista brasileira, morto em 2014.
Resistindo às investidas do entrevistador, o diretor estreante Josafá Veloso - que insiste em formular uma tese de que todos os filmes de Coutinho seriam, na verdade, um único filme, retomado muitas vezes -, Coutinho se coloca diante da câmera com a total consciência de que esta postura o transforma, automaticamente, num personagem de si mesmo.
Com a habitual sinceridade e uma ironia sempre revestida de um humor melancólico, Coutinho dá o melhor de si em comentários sobre o próprio trabalho e sobre atitudes - com a necessidade de fé até para ser ateu, o que ele não tinha - e responde sobre trivialidades, como quando começou a fumar, uma de suas marcas registradas. Até aí, ele destaca a importância do gesto, ele que, em seus filmes, soube valorizar cada um deles em seus entrevistados.
Banquete Coutinho é, mais do que tudo, uma forma de matar a saudade deste cineasta essencial que ele foi, servindo para manter vivo um legado a ser sempre revisitado. Dá vontade de sair correndo e rever todos os seus filmes. A falta que ele nos faz.
