Trolls 2, ao menos nos Estados Unidos, representa uma grande mudança na forma como filmes poderão ser lançados no futuro. Por conta da pandemia, este foi o primeiro grande lançamento que pulou o cinema e foi direto para streaming no país. Um movimento que começou a tomar mais forma pouco tempo depois, quando a Disney lançou Mulan da mesma forma em sua plataforma. No Brasil, a animação estreia nos cinemas mais de seis meses depois da estreia nos EUA.
Trolls 2 é a sequência inevitável do sucesso de 2016, novamente dirigida por Walt Dohrn, agora, co-assinada por David P. Smith, e protagonizada pelas pequenas criaturas. A trama se passa pouco depois do primeiro filme. Poppy, que agora é rainha, com Branch descobre a existência de outros mundos povoados por trolls, além deste onde habita.
Há seis tribos de trolls (uma para cada corda de um violão), cada uma dividida de acordo com seu gênero musical favorito – além do pop, há os mundos do funk, techno, música clássica, sertanejo e rock. Porém, os habitantes têm preconceitos uns contra os outros, por conta de seus gostos musicais. Esse é o tema central da animação: a intolerância. Mas, apesar das boas intenções, o filme não consegue ir para além dos clichês com os gêneros musicais. No mundo dos clássicos, por exemplo, anjos de cabelos grandes à la Beethoven tocando flauta.
Os roqueiros são os vilões intolerantes que querem destruir todos os gêneros e dominar o mundo. Para evitar isso, Poppy deverá unir todos os trolls. O resultado é um filme tecnicamente bem feito, mas com uma trama inferior ao original, mais parecendo uma colcha de retalhos na qual a protagonista deverá aprender mais sobre música e sobre como prestar atenção em outros gêneros. Mas, para isso, o longa sacrifica a especificidade de cada um, e transforma tudo num pastiche, de modo que nem sempre dá para diferenciar o rock do sertanejo.
