Documentarista de olhar sensível, o italiano Gianfranco Rosi (de Fogo no Mar, indicado ao Oscar) volta sua câmera para os conturbados horizontes do Iraque, Curdistão, Síria e Líbano, para colher histórias pungentes sobre os desastres das guerras que abalam, há anos, estes lugares.
Em locais que foram afetados por guerras, como Síria, Iraque, Curdistão e Líbano, o documentarista italiano Granfranco Rosi encontra histórias de diversas pessoas cujas vidas foram drasticamente afetadas, como as mulheres e crianças depois da passagem do Estado Islâmico. Na Mubi.
- Por Neusa Barbosa
- 10/02/2021
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Quando as armas se calam, restam as viúvas, os órfãos, as pessoas traumatizadas e sem emprego, que devem sobreviver entre escombros, convivendo com os efeitos da passagem mortífera do Estado Islâmico. Duas sequências cortam o coração - aquela que mostra a terapia de crianças que testemunharam os horrores cometidos pelos guerrilheiros fanáticos, decapitando pessoas e espancando as próprias crianças, cujos relatos aparecem em desenhos impressionantemente claros e em testemunhos não menos impactantes; outra, aquela em que uma mãe compartilha os áudios deixados em seu celular pela filha, sequestrada pelo Estado Islâmico, até agora em destino desconhecido.
Muitos dos ex-militantes do fracassado projeto fundamentalista hoje ocupam prisões superlotadas, vigiadas, muitas vezes, pelos guerreiros curdos Peshmerga. Não longe dali, os batalhões femininos Peshmerga exercem também vigilância, na situação ainda instável de controle dos territórios.
Pouca coisa pode ser mais eloquente do que a situação de Ali, um menino de 12 anos, filho mais velho de uma família cujo pai desapareceu nestas guerras. Para ajudar a alimentar a mãe e os cinco irmãos menores, toda madrugada ele parte para uma estrada onde passam os carros de caçadores de pássaros, oferecendo-se como seu ajudante - o que pode lhe render um parco dinheiro, ou até alguns dos pássaros. No olhar final do menino, examinando este horizonte ainda tão sombrio, está a síntese de uma desolação que procura também indícios de esperança. Mas como ela tarda a chegar.
