Vencedor como melhor longa gaúcho no Festival de Cinema de Gramado de 2020, Portuñol é um documentário sobre a relação entre o Brasil e seus vizinhos na América Latina. Nosso país sempre foi o estranho nesse ninho – uma situação ainda mais acentuada ao se tornar o epicentro da pandemia em 2021 –, mas o documentário de Thais Fernandes se aproxima de zonas de contato entre os povos e onde as fronteiras desaparecem.
Portunhol é uma expressão conhecida, que define uma espécie de língua imaginária, quase um dialeto bilíngue, que combina português e espanhol ao ponto em que os falantes de ambas são capazes de compreender-se com um pouco de intuição e picardia. Ao visitar regiões fronteiriças no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, o longa questiona o que é ser latino-americano, e em que medida o brasileiro faz parte dessa coletividade.
Composto basicamente de entrevistas, o longa flui por seu material humano bastante rico e sua montagem, assinada por Jonatas Rubert. Somos apresentados a falantes de português, espanhol e guarani – todos e todas fluentes em portunhol – que contam sobre suas experiências com as línguas e como essa possibilita trocas e construções pessoais.
A fronteira surge aqui como o que é: uma linha imaginária e, nesse sentido, dissolvível, ao mostrar casos em que o trânsito entre os países é necessário e inevitável. O caldeirão cultural da região das fronteiras é, no fundo, o tema o filme, como cada cultura é capaz de absorver e transformar outras, criando uma riqueza de sons, cores, costumes, práticas sociais, de todas as quais o Brasil, como um todo, poderia e deveria fazer mais parte.
