Talvez O Manipulador de Paixões fizesse mais sentido em seu lançamento, em 1994, mas é pouco provável. Sua estética empoeirada – muitas vezes evocando um pornô-chique das décadas anteriores, que, inclusive, eram bem melhores do que este – não diz a que veio nem hoje nem 20 e poucos anos atrás. Jacques Deray, mais conhecido por A Piscina e Borsalino (ambos protagonizados por Alain Delon, como aqui), mira num suspense psicológico e erra todos os alvos.
Delon é um ginecologista com uma clínica em Bruxelas (o filme é inexplicavelmente falado em italiano). Ele é responsável por duas mortes – uma indireta e a outra diretamente – e recebe um telefonema anônimo ameaçando-o por um crime. No dia seguinte, recebe um pequeno urso de pelúcia – esse é o título original do filme.
Baseado num romance de Georges Simenon, O manipulador de paixões é um filme ruim que não diz muito bem a que veio. Deray dirige de maneira fria, distante, o que também dificulta maiores envolvimentos com longa. Talvez o maior interesse aqui seja a presença de Delon, mas ele mesmo tem a seu crédito outros trabalhos bem melhores.
