E o filme comprova que os americanos nunca andaram tão armados. Depois do 11 de setembro, a venda de armas de fogo subiu 70% no país. Eles acreditam, como afirmam muitos dos entrevistados de Moore, que só assim estão seguros.
No entanto, pesquisas mostram o efeito colateral dessa histeria coletiva: homicídios causados por armas de fogo chegam a 11 mil por ano nos Estados Unidos. Um dado assustador, visto que em outras nações desenvolvidas, como Japão, Inglaterra, Canadá e França, mortes causadas por armas não passam de 100 anualmente.
Desta forma, Moore usa o fatídico episódio ocorrido em 1999 na escola secundária Columbine, em Littleton, Colorado (Centro-Oeste dos EUA), onde dois alunos armados até os dentes mataram 12 estudantes e um professor antes de se suicidarem, como pretexto para a sua pergunta inicial: "Somos uma nação de loucos por armas ou somente loucos?" E, se realmente são loucos, como, historicamente, chegaram a essa situação?
E fatos não faltam para serem mostrados pelo diretor. Exemplo adequado à discussão, colocado no filme, foi o de um menino de 6 anos que fez de sua coleguinha de classe a vítima de arma de fogo mais jovem do país. Matou-a em pleno jardim de infância. Não se trata de guerras, conflitos ou favelas, mas de subúrbios de classe média americanos, onde os pais possuem armas em casa (muitas vezes espalhadas pela casa) ou de promoções que oferecem espingardas de brinde aos clientes que abrem contas bancárias.
O escritor americano John O'Hara chegou a dizer certa vez que "os EUA são um país que passou da barbárie à decadência sem um estágio intermediário de civilização". Se isso é verdadeiro ou falso, o cáustico Tiros em Columbine pode dar uma boa pista.
Cineweb-16/5/2003
