Velha Roupa Colorida, de Gabriel Alvim, tem ao centro uma faixa etária que parece sem rumo no Brasil de hoje. Dez anos atrás, seu protagonista, Rached (Dida Andrade), e seus amigos, todos com cerca de 20 anos, eram cheios de planos, havia possibilidades para a juventude no país. Agora, depois de uma frustrada tentativa de sucesso no exterior, ele está de volta e reencontra sua turma toda cheia de problemas, emocionais, financeiros, e sem rumo.
Num espaço quase delimitado pelo bairro de Pinheiros em São Paulo, o longa acompanha o reencontro de Rached com as figuras do seu passado. Jucá (Adriano Toloza) trabalha no escritório do pai e é incapaz de guiar sua própria vida; Digão (Kauê Telloli) passa por uma depressão profunda, e acabou abandonado pelos amigos; Caco (Andradina Azevedo) finge levar uma vida regrada, mas trai a esposa e está envolvido com drogas; e Raul (Fabio Penna) é o único que parece estar bem consigo mesmo, mas isso não é verdade. Apenas Carol (Louise D'Tuani) conseguiu ir atrás do sonho de se tornar atriz.
Esse grupo de personagens compõe o círculo de convivência de Rached de volta ao Brasil, e o contato com cada um o transformará e a eles também. Essa volta expõe os dramas vividos por cada um deles, mas sem muita evolução.
Velha Roupa Colorida é um filme bem-intencionado, feito com visível baixo orçamento, mas nem sempre capaz de superar suas limitações. Não há um respiro com esses personagens pouco ou nada agradáveis. Talvez apenas Carol consiga se sobressair aqui – por isso mesmo, ela seja a única que conseguiu evoluir um pouco na vida, entre o grupo.
