19/07/2026
Comédia

A Boa Esposa

Paulette Van der Beck dirige e dá aulas na escola de seu marido que prepara jovens para o casamento, nos anos de 1960. Porém, quando ele morre, ela se depara com uma situação inesperada: várias dívidas. Agora, é obrigada a se adaptar a um mundo que está também em transformação – especialmente no que diz respeito ao papel das mulheres na sociedade.

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Em A Boa Esposa, Juliette Binoche interpreta Paulette Van der Beck, uma mulher tão reprimida a ponto de não perceber que a escola de sua propriedade apenas prepara jovens mulheres para viver a mesma dinâmica de repressão que ela mesma enfrentou sua vida toda. Mais conhecido por suas cinebiografias femininas densas, o diretor Martin Provost muda o tom aqui, mas o resultado é uma comédia bem-intencionada mas superficial.
 
Paulette é casada com Robert (François Berléand), um homem bem mais velho do que ela, com quem é dona de um internato, na França do final dos anos de 1960. O estabelecimento ensina jovens a ser tornarem boas esposas. As aulas, em boa parte ministradas por Paulette, ensina não apenas a cuidar da casa, como do marido, dos filhos e a se comportar como uma mulher recatada.
 
A morte acidental de Robert traz uma nova realidade. A escola está mergulhada em dívidas e, fora isso, há novos ares no mundo: as jovens não são como antigamente, o feminismo está mudando a mente delas, e elas a sociedade. Paulette passa a ser cortejada por um banqueiro, André (Edouard Baer), que sempre a admirou de longe.
 
O roteiro, escrito por Provost e Séverine Werba, tenta equilibrar política de gênero com sátira social, mas nem sempre encontra o tom certo, pendendo entre a comédia e um comentário relativamente datado. Binoche é uma grande atriz, mas raramente atinge o timing certo para a comédia. Sua interpretação aqui é pesada, eliminando do filme a leveza da qual ele tanto necessita.  
 
O elenco de coadjuvantes inclui a irmã de Robert (Yolande Moreau, com uma cabeleira loira), e a freira Marie-Thérèse (Noémie Lvovsky), que cuida das alunas com pulso firme. Essas, por sua vez, transitam entre os estereótipos, a menina bem-comportada e submissa (Lily Taieb) e aquela que encarna o espírito da mudança (Marie Zabukovec), até com certa semelhança com Brigitte Bardot.
 
Ganhador do César de Melhor Figurino (assinado por Madeline Fontaine), A Boa Esposa se destaca nos aspectos mais técnicos, como fotografia e direção de arte, que recriam com esmero e colorido vibrante o período retratado no filme. 
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