Depois que seu trem foi adiado por uma avalanche, a sra. Froy e a jovem Iris fizeram amizade no hotel onde pernoitaram. No trem a caminho da Inglaterra, as duas dividem uma cabine com várias pessoas. Inesperadamente, a sra. Froy desaparece e ninguém mais, exceto Iris, afirma lembrar-se dela. Sendo tida como louca, Iris só conta com a ajuda do músico Gilbert, que a corteja.
- Por Neusa Barbosa
- 22/06/2021
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Alfred Hitchcock estava se despedindo da Inglaterra com este divertido suspense, A dama oculta (1938), feito num período de grandes tensões políticas, às vésperas da II Guerra Mundial. Logo mais, ele partiria para Hollywood, onde faria seus filmes mais famosos. Antes disso, ele demonstra aqui sua perícia em extrair o máximo do mínimo, intercalando suspense, humor, romance e algo mais num filme roteirizado pela dupla Sidney Gilliat e Frank Launder, a partir de uma história de Ethel Lina Launder.
Como em outros filmes de Hitch, um trem está no centro da trama. A bordo, passageiros que se conheceram brevemente num hotel um tanto confuso num país dos Bálcãs - um lugar imaginário, identificado como Bandrika - quando sua viagem foi adiada devido a uma avalanche de neve. O trio principal é formado pela mocinha Iris Henderson (Margaret Lockwood), a senhora Froy (May Whitty) e o músico Gilbert Redman (Michael Redgrave, o pai de Vanessa).
Todos estão a caminho da Inglaterra. Iris vai encontrar-se com o noivo, deixando para trás uma vida de aventuras. Ela faz amizade com a sra. Froy, um tipo maternal, e as duas passam todo o tempo juntas. Repentinamente, a senhora desaparece a bordo. Ninguém na cabine em que as duas viajavam admite lembrar-se dela, assim como os funcionários do trem. Iris começa a duvidar da própria sanidade, assim como outros passageiros, como um médico, o dr. Hartz (Paul Lukas).
Neste contexto, Iris conta com um único aliado, o músico Gilbert, com quem viveu um incidente no hotel, antes da viagem. Entre os dois estabelece-se uma aliança que não encobre a faísca romântica que a história vai estender ao longo da aventura, incluindo intrigas de espionagem internacional e outros incidentes, não raro rocambolescos.No futuro, em condições melhores e orçamentos mais generosos, Hitch teria meios para tornar-se bem mais sofisticado.
Diversos outros personagens contribuem, de maneira marginal, para o avanço da trama, caso da dupla formada por dois fanáticos fãs de críquete, Chatters (Basil Radford) e Caldicott (Naunton Wayne), que só pensam em chegar a tempo de tomar outro trem para Manchester para assistirem a uma partida - e não querem, por nada deste mundo, que o trem pare por conta do desaparecimento da dama. Ao delinear desta forma os pecadilhos das pessoas - há também um casal adúltero tentando despistar ao máximo -, Hitch recheia o percurso deste trem de intrigas que prolongam o mistério central, mas não perdem de vista o fator diversão. O diretor exercita aqui o máximo de seu jogo, num filme mais modesto do que os que se seguirão, em Hollywood, é verdade, mas que aponta seu comando das situações, sua verve, o tempero que ele sabe dar às menores coisas. E, como de hábito, Hitch faz sua clássica ponta, desta vez mais na parte final, numa estação de trem.
De qualquer forma, neste fim de sua fase inglesa, Hitch já chamara a atenção também dos críticos do outro lado do Atlântico - por este filme, ganhou o prêmio de melhor diretor pelo New York Film Critics Circle.
