Em Pedro e Inês, o roteirista e diretor António Ferreira parte de um romance de Rosa Lobato Faria, combinando história, ficção e fantasia para contar a história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro, um dos casos de amor mais potentes da tradição portuguesa. A narrativa se passa em três momentos, sempre com o mesmo elenco interpretando o casal, Diogo Amaral e Joana de Verona, além de Vera Colodzig, como Constança, a mulher do futuro rei de Portugal.
O longa lembra filmes cujas tramas atravessam séculos – como Fonte da Vida e A Viagem, e, coincidentemente, é mal-resolvido nesse quesito como esses outros dois. A narrativa entrecorta três momentos: passado, presente e futuro, e, em todos, o destino trágico do casal. A trama do século XIV é relativamente fiel à lenda. Nos dias de hoje, Pedro é um arquiteto que se apaixona pela nova estagiária do escritório. Num tempo apocalíptico, vive numa comunidade distópica onde os casamentos são controlados.
É como se o amor sobrevivesse ao tempo e espaço mas, ao mesmo tempo, sempre estivesse fadado ao fracasso. O segmento do futuro é aquele em que, obviamente, a fantasia corre solta, sobre uma sociedade diante do fim do mundo. Como tudo se mantém mais ou menos igual nas três narrativas, o filme se torna previsível e pouco elaborado. A reconstituição de época também é simples, assim como o desenho de produção do futuro é puro clichê.
É paradoxal que uma história de amor tão forte como a de Pedro e Inês renda um filme tão frio. Seus diálogos são rasos, e os personagens também. O espelhamento entre os três tempos acaba se tornando um mero artifício do qual se tira pouco proveito, uma vez que tudo se passa de maneira bem parecida – o que nunca justifica as mais de duas horas de duração de Pedro e Inês.
