06/06/2026
Documentário

Migliaccio, O Brasileiro em Cena

Conhecido por sua versatilidade, Flávio Migliaccio foi um ator que deu vida a tipos comuns do Brasil. Esse documentário reconta sua carreira, que inclui personagens queridos do público infantil, diversas novelas, e passagem pelo Teatro de Arena, e como roteirista e diretor de cinema.

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Quando criança, Flavio Migliaccio conta numa entrevista, ele sonhava em ser John Wayne. Ele cresceu e se tornou ator, e embora não tenha se tornado o astro dos faroestes, transformou-se um dos principais nomes da televisão brasileira, dando vida a personagens marcantes, como o Xerife, da série Shazan, Xerife e Cia, ao lado de Paulo José, e também o Tio Maneco, que rendeu programa de televisão e filme.
 
Migliaccio, o Brasileiro em Cena, dirigido por Alexandre Rocha, Marcelo Pedrazzi e Tuco, resgata a  história desse ator, diretor, produtor, morto em 2020, que nasceu numa família que ele mesmo define como “neorrealista”, em São Paulo, que passava dificuldades, mas conseguia tirar disso “uma dimensão incrível”. O fio condutor do documentário são entrevistas do próprio biografado, que resgata sua trajetória pessoal e artística e também uma peça de tons autobiográficos, Confissões de um senhor de idade, na qual um personagem chamado Flávio mantém uma conversa franca com Deus, interpretado por Luciano Paixão.
 
Com muito humor e sagacidade, ele conta que começou no teatro infantil, depois de tentar diversas outras profissões. Em sua carreira, que durou mais de 60 anos, passou pelo Teatro de Arena, no qual, ao lado de Milton Gonçalves, representou, em suas palavras, o povo. Nesse trabalho, Migliaccio diz que voltaram à estaca zero, e não partindo do momento do teatro paulistano da época.
 
A busca central foi por um jeito realista de representar, que acabou também levado para a televisão, na qual o ator participou de novelas, como Duas Vidas (1976), O Astro (1977), Rainha da Sucata (1990), e Órfãos da Terra (2019), seu último trabalho, e até humorísticos, como Viva o Gordo e Chico Anysio Show. No cinema, Migliaccio trabalhou como ator e diretor, sendo responsável por longas como Os Mendigos (1962) – imagens deste, aliás, ficaram de fora do documentário, pois a única cópia do longa faz parte do acervo da Cinemateca Brasileira, que se encontra fechada, e, portanto, impossibilitando seu acesso, como explica um letreiro final.
 
Migliaccio também teve uma relação bem próxima do público infantil, seja como o Xerife do seriado, que teve origem na novela O Primeiro Amor, e com o famoso Tio Maneco, de uma série da TVE, que rendeu também rendeu quatro filmes – três dirigidos e escritos, por ele. No final dos anos de 1980, também dirigiu o longa Os Trapalhões na Terra dos Monstros. Ou seja, o público infantil sempre esteve próximo do trabalho dele, e isso lhe gerou, como conta, uma fama enorme com as crianças.
 
O lado político também é resgatado no filme, como sua militância nos anos de 1960, o envolvimento com a UNE e até a participação no clássico do Cinema Novo, Cinco Vezes Favela, do qual foi roteirista de um dos episódios, dirigido por Leon Hirszman. Além de tudo, participou como ator também, numa cena digna de um filme neorrealista, como ele mesmo conta.
 
Migliaccio, o Brasileiro em Cena destaca o bom humor, sagacidade e picardia do biografado, cuja trajetória foi marcada pela representação do brasileiro típico, seguindo a ideia de sua família neorrealista. Migliaccio conta que fez todos os papeis que lhe deram para fazer – inclusive de animais –, e se define não apenas como um artista amador, mas um ser humano amador.
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