Entra em cena Emelyn, uma adolescente moradora do local, em processo de se tornar Bernardo. Mais do que investigar, a autora também impulsiona a viagem de autodescoberta da jovem. Nesse sentido, o longa funciona como documental. As interações entre Julia e Emelyn fluem sem muita roteirização, assim como a relação desta com seus amigos e amigas na pequena vila onde moram.
O filme é composto de fragmentos, partes de um todo que constroem a narrativa e avança no tempo e na trajetória de Emelyn. Nem sempre tudo faz sentido, e nem sempre tudo contribui para a narrativa. Às vezes, Caneppele deixa-se levar demais por esteticismos, e isso eventualmente prejudica o desenrolar do longa.
Há um potencial grande em Música Para Quando as Luzes se Apagam em especial na jornada de Emelyn, uma jovem doce e inteligente em busca de descobrir o seu verdadeiro eu e lutar para que seja aceito por todos. É um tema bastante atual e pertinente que nem sempre recebe a devida atenção no longa.
Lemmertz, uma atriz experiente e versátil, funciona bem como o fio condutor, talvez mais do que isso, como o fio que amarra todo o filme, dando-lhe unidade e conduzindo os não-atores na frente da câmera. O longa, ao final, funciona como um experimento, um laboratório mais social do que cinematográfico ao acompanhar Emelyn e o mundo que a cerca – ambos à espera de transformações.
