O cinema argentino que chega ao Brasil é mais conhecido pelos seus dramas e, eventualmente, alguma comédia. O Diabo Branco, um terror, é uma exceção – o que, infelizmente, não é uma boa notícia. Dirigido pelo estreante Ignacio Rogers (ator de longas como Esteros), segue a cartilha do gênero, com muito sangue e situações sobrenaturais, mas nada funciona muito bem.
O cenário é a província de Tucumã, no noroeste da Argentina, com sua bela paisagem e presença na história da colonização do continente. Esse período, aliás, é a base da lenda que assombra a região, no confronto entre nativos e europeus, e que persiste até hoje. Na primeira parte, trabalhando com um roteiro assinado por ele e Santiago Fernández Calvete e Paula Manzone, Rogers tenta criar mais clima do que horror propriamente dito. Mas na segunda metade, quando entram em cenas rituais satânicos, e o sangue jorra e o filme se torna mais um exemplar equivocado do gênero.
Um grupo de quatro não-tão-jovens, na faixa dos 30 anos, viaja até a região para se hospedar nas cabanas de uma espécie de resort. São argentinos e argentinas, mas parecem saídos de um filme americano. Por mais que Rogers tente tingir O Diabo Branco com cores locais, isso nunca acontece, e o longa sempre parece um filme americano daqueles que nos anos de 1990 iam direto para VHS.
O quarteto é interpretado por Martina Juncadella, Julian Tello, Ezequiel Díaz e Violeta Urtizberea, que esperam uma temporada promissora, mas se deparam com o inesperado. Há no elenco também o ítalo-brasileiro Nicola Siri, como dono do lugar onde se hospedam, sempre taciturno e que parece saber mais do que conta. Um homem estranho (estaria vivo? Estaria morto? Seria o tal “diabo branco?) também ronda a região. Ele é interpretado por William Prociuk.
Com todos seus clichês e obviedades, o filme nunca faz justiça à ótima fotografia de Fernando Lockett, que valoriza o que há de mais soturno na paisagem natural da região. Obviamente, Rogers e seu filme pretendem falar do sanguinolento processo colonial e suas consequências que perduram até hoje – aqui, simbolicamente nos rituais e lendas que persistem. Mas este parece ser assunto complexo demais para o filme dar conta.
