03/09/2026
Comédia

Dois + dois

Diogo e Emília são um casal bem comportado, mas que enfrenta uma certa monotonia no casamento. Quando descobrem que seus amigos Ricardo e Bettina são adeptos da troca de casais, ficam tentados a experimentar.

post-ex_7
Qual o motivo de se fazer um remake de um filme ruim, e o fazer, novamente, ruim? Essa é uma pergunta que atravessa o brasileiro Dois + dois, refilmagem do argentino 2+2, sucesso em seu país, mas pouco visto aqui. Por isso se aposta numa alta bilheteria na refilmagem, com roteiro adaptado e direção de Marcelo Saback, roteirista de comédias como De Pernas Pro Ar e Divã.
 
O ponto de partida são dois casais amigos que resolvem fazer um swing ou, como chamam, “intercâmbio de casais”. Diogo (Marcelo Serrado) é sócio de Ricardo (Marcelo Laham) em uma clínica cardiológica. O primeiro sempre foi a estrela da dupla, ganhando holofotes e mais dinheiro. É casado com Emília (Carol Castro), com quem tem uma vida de classe média bem alta, mas um tanto monótona.
 
Tudo muda de figura quando ficam sabendo que Ricardo e sua mulher, Bettina (Roberta Rodrigues) são adeptos da troca, ou melhor, intercâmbio de casais. Diogo e Emília se interessam pelo assunto, mas não têm coragem de se entregar aos amigos.
 
Para um filme que quer tão francamente falar de sexualidade, este é bastante pudico. E, para uma comédia, Dois + dois é impressionantemente sem graça. Tudo isso já vinha do original argentino, por isso mesmo Saback tinha mais espaço para melhorar a versão brasileira. Trocadilhos exaustivos (especialmente usando a palavra cool e um monossílabo átono terminado em u) e palavras de duplo sentido correm soltas aos longo dos infindáveis 100 minutos do longa.
 
A contraposição que o filme quer armar está nas vidas diferentes dos dois casais, e a insatisfação do homem em cada um deles. Diogo está tentado a ter uma vida de mais aventuras, a viver uma relação aberta, enquanto Ricardo, no fundo, gostaria de experimentar um relacionamento mais regular. Às personagens femininas, por sua vez, restam mais e mais diálogos de duplo sentido e repressão.
 
Sempre se cobrou muito, mesmo que inadvertidamente, que o cinema brasileiro deveria de se inspirar no argentino, mas não era bem esse tipo de inspiração que se esperava. De qualquer forma, há momentos genuinamente típicos do cinema brasileiro aqui, especialmente na falta de sutileza para merchandisings – como numa cena numa farmácia na qual personagens conversam por uns bons minutos na frente de uma prateleira repleta de preservativos de uma marca que patrocina o filme – fora as propagandas de um canal de TV a cabo e de barbeador.
post