Um vasto painel de vozes, das mais diversas áreas, compõem a base do documentário Danças Negras, de João Nascimento e Firmino Pitanga, que investigam essa modalidade artística no Brasil. Das origens às manifestações no presente, o filme traça um longo painel até chegar ao novo processo de descolonização – especialmente cultural – da atualidade.
O compositor, historiador e educador Salloma Salomão, por exemplo, conta que “as primeiras expressões da danças negras são as formas populares”, que combinam música e dança, como os congos e o ticumbis, nas quais a musicalidade e a corporalidade estão reintegradas, “algo que é inconcebível para a visão ocidental de arte segmentada”.
Após estabelecer alguns parâmetros e definições, o filme focaliza as diversas manifestações das danças negras que transitam entre a arte e a religião, trazendo à tona a ancestralidade e uma identidade, muitas vezes embranquecida, que deve ser reclamada pela força do corpo e da música.
Tanto Nascimento quanto Firmino têm experiência com o mundo da dança, o que lhes confere acesso e facilidade em lidar com a manifestação dessa arte. Os depoimentos são intercalados com belas coreografias e músicas que, mais do que ilustrar as falas, trazem a força das próprias manifestações artísticas ao filme. Desse modo, Danças Negras é uma celebração da arte e do corpo negro, em suas mais variadas formas.
