14/06/2026
Ficção científica

Contos do Amanhã

Em 1999, o adolescente Jefferson está baixando, com dificuldade pela internet precária, uma série de arquivos que parecem ser depoimentos de pessoas do futuro. Em 2165, a Terra foi devastadas e os humanos vivem num pequeno espaço. Quando uma guerra é deflagrada, o jovem do passado é a última esperança da humanidade.

post-ex_7
Contos do amanhã, escrito e dirigido por Pedro de Lima Marques, é uma rara tentativa de se fazer ficção científica no cinema brasileiro. É uma história de viagem no tempo, com toques de distopia e disputas de poder numa Terra devastada – ou seja, ingredientes clássicos do gênero e, somado a isso, efeitos visuais sagazes, que driblam o orçamento apertado, dando ao filme um belo verniz.
 
A narrativa, no entanto, nem sempre está à altura. É um tanto confusa e apressada, embora, aqui e ali, com elementos bem sacados. A trama se dá em dois momentos: em 1999, quando o adolescente Jefferson (Bruno Barcelos), usando uma internet discada precária, recebe áudios do futuro, nos quais fica sabendo do sequestro de uma tal de Michele Medeiros (Daiane Oliveira); e em 2165, numa guerra na cidade-estado Porto 01, o último lugar onde habitam os humanos.
 
No final do século XX, Jefferson e seus amigos e amigas temem o Bug do Milênio, que causaria pane nos computadores com a mudança do ano de 1999 para 2000. A direção de arte dá conta do passado (recente, para alguns) com os desktops antigos, os pôsteres de bandas nas paredes do quarto do protagonista, as roupas e cabelos. É uma das partes mais bem cuidadas do filme.
 
O futuro, por sua vez, segue mais o clichê do cinema americano para o futuro, embora seja inegável que o filme encontre saídas bastante criativas para essa imagem de 2165, valendo-se de filtros, luzes e afins. Mas, em termos de conteúdo, é um tanto óbvio, num tema que o cinema e as séries têm explorado à exaustão: as distopias – o que acaba minando um pouco Contos do Amanhã.
 
É óbvio que, em algum momento, os dois tempos se unirão, e aí o filme torna-se um pouco mais confuso, pois tudo é bem rápido – o longa dura pouco mais de 80 minutos e a resolução é um pouco óbvia, embora seja um tanto rocambolesca, até chegar ali. De qualquer forma, seu diretor e roteirista merece aplausos ao menos por conseguir realizar uma ficção científica hard num país com pouca tradição no gênero.
post