04/06/2026
Fantasia Drama

Nove Dias

Will vive num lugar anterior à vida terrena. Ali, acompanha o cotidiano das pessoas que escolheu para encarnar na Terra. Quando uma delas morre, novas almas aparecem, interessadas em vir ao mundo. Elas têm nove dias para o convencer que merecem ser escolhidas.

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Enquanto tantos filmes (e até telenovelas) mostram interesse em investigar a vida depois da morte, Nove Dias, escrito e dirigido pelo brasileiro Edson Oda, preocupa-se com a vida antes da vida. Fora isso, não há muita diferença entre este e tantos outros sobre grandes questões da humanidade – em especial: Qual o sentido da vida? São grandes questionamentos, dos quais o diretor se aproxima com curiosidade e sinceridade, mas também com um punhado de clichês.
 
A narrativa se dá uma espécie de lugar entre a eternidade e a vida na Terra, onde Will (Winston Duke) assiste (e grava em VHS) a vida das pessoas que ele mandou para nascer no nosso planeta. Em aparelhos de televisão antigos, de formatos e tamanhos variados, organizados como uma espécie de instalação artística que se vê em bienais, ele acompanha a vida dessas pessoas. Uma delas morreu, ou seja, uma “vaga” foi aberta, e alguns homens e algumas mulheres se candidatam ao posto – todo mundo com nove dias para se mostrar digno ou digna de ocupar a posição, ou seja, encarnar.
 
Will já esteve vivo, e por isso pode avaliar as almas que desejam um lugar na Terra, pois já passou por isso. Cada uma dessas almas candidatas têm um perfil próprio. Esse grupo inclui personagens interpretados por atores e atrizes como Bill Skarsgård, David Rysdahl, Tony Hale e Arianna Ortiz. Cada um deles é colocado numa espécie de jogo, no qual devem passar boa parte do tempo assistindo nos televisores à vida dos “escolhidos”, e depois se submeter a uma entrevista com Will.
 
Emma (Zazie Beetz) chega depois – não pergunte como, nem porque –, e parece ser a única a não se submeter à lógica um tanto mesquinha de Will, que, em seu jogo, acaba matando as almas que não foram escolhidas para encarnar. Com suas perguntas, seus questionamentos e sua inteligência, ela desafia a lógica do projeto de escolher uma pessoa para ganhar a vida na Terra.
 
Embora não seja assumidamente um filme religioso, Nove Dias parece um projeto para vender alguma espécie de religião ou crença. Sem muita sutileza, o longa transmite sua mensagem como um pastor, padre ou qualquer outra figura que queira passar ideias espirituais e metafísicas sobre a vida e a morte. Como um filme de fantasia, o longa também não tem consistência, sua lógica interna é frágil e com algumas lacunas. Qual o sentido de gravar as vidas das pessoas em VHS? Porque as almas que se candidatam a vir para a Terra já parecem pessoas formadas, seja física, espiritual ou emocionalmente – mesmo se o sentido de ganhar a vida é adquirir esses elementos por meio da experiência? Há também questões filosóficas profundas demais que parecem tratadas de maneira superficial, didática ou mais simplificadas para o público.
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