Joaquim Calçada, também conhecido como Jack, é um homem de muitos talentos. Trabalhou em fábrica de munições, com aviões, como taxista, entre alguns outros empregos. Mas um de seus maiores méritos, como se vê em No táxi do Jack, é contar histórias. Ele é a figura central desse documentário de Susana Nobre, que o conheceu enquanto ela trabalhava no departamento de Novas Oportunidades do governo de Portugal.
Joaquim, que tem 63 anos, morou por 20 anos nos EUA, para onde imigrou no começo da década de 1970. Autodidata, conta que arranjou o máximo de trabalho que pode, enquanto aprendia a língua conforme dava. Com sua cabeleira que lembra Elvis Presley, agora desempregado, percorre agências, empresas que forneçam uma declaração comprobatória de que ele está à procura de trabalho, mas não conseguiu a vaga. Assim, ainda pode ter direito ao seguro-desemprego.
Entre uma visita e outra, Joaquim reencontra amigos e resgata sua história, que inclui também a direção de limusines em Nova York, onde conta que transportou gente famosa. O filme também resgata momentos com encenações, com o uso de efeitos, colocando Joaquim novamente “dirigindo” seu táxi nos EUA.
Há algo de cômico aqui, seja pelo absurdo da situação, ou pelo bom humor do próprio protagonista. Um jogo de cena que a diretora realiza com sagacidade e crítica social, colocando ao centro a esfera do trabalho, cada vez mais excludente de uma parcela mais madura da população.
