É por meio de relatos pessoais que o documentário Transversais constrói sua narrativa. Quatro pessoas transexuais contam seus processos de autodescoberta e de trânsito, além de suas jornadas a partir desse momento. Soma-se a elas e eles, no filme, uma mulher cisgênero, que tomou consciência da transexualidade e seus desafios a partir de sua filha adolescente.
Dirigido por Émerson Maranhão e produzido por Allan Deberton (Pacarrete), o filme é delicado e respeitoso, e, ao mesmo tempo, esclarecedor, ao tocar com tanta sinceridade e clareza num assunto tão complexo quanto polêmico. Deixando as pessoas contarem livremente suas histórias, Transversais ilumina uma questão contemporânea e urgente – que nem deveria ser uma questão em si. O filme parte de uma websérie e um curta do mesmo diretor e amplia seu escopo.
A funcionária pública Samilla Marques, a professora Érikah Alcântara, o enfermeiro Caio José e o acadêmico Kaio Lemos narram suas histórias, repletas de alegrias, dores, desafios e conquistas. Passaram por processos longos para que chegassem a uma aparência que, atualmente, é condizente com como se veem. Mara Beatriz, por sua vez, uma jornalista cisgênero, é mãe de um adolescente transgênero e, com o tempo, tornou-se uma das militantes mais ativas das Mães pela Diversidade no Ceará.
Nas narrativas pessoais, alguns temas são recorrentes, em especial, o preconceito. Relatos de perseguições e agressões não são raros e, ao trazer as vivências pessoais de cada um e cada uma das entrevistadas, o documentário contribui para a desconstrução do preconceito, estabelecendo um diálogo com seu público e iluminando o tema.
Maranhão, que também é jornalista, traz elementos centrais para a compreensão das pessoas ao centro do filme. A montagem de Natara Ney alinha os paralelos em comum de cada uma dessas figuras, mas também ressalta as jornadas específicas de cada um e cada uma.
