03/06/2026
Drama

A professora de violino

Anna Bronsky é uma professora de violino numa academia musical que resolve defender a permanência de um novo aluno, o adolescente Alexander. Empenhada em que ele supere suas falhas, ela se projeta nele, lembrando seu passado como concertista. Ao mesmo tempo, vive dilemas com o marido, Philippe, e o filho, Jonas.

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Dirigido pela também atriz Ina Weisse, o drama A Professora de Violino oferece à veterana atriz alemã Nina Hoss uma nova oportunidade de experimentar seu grande talento. Conhecida pelos filmes em parceria com o diretor Christian Petzold, como os premiados Yella (que deu a ela o Urso de Prata de melhor atriz em Berlim 2007), Barbara e Phoenix, Nina mergulha aqui em mais uma atuação sutil e interiorizada, vivendo a professora de violino Anna Bronsky - outro papel que lhe deu prêmio de melhor atriz, desta vez no Festival de San Sebastián. 
 
Casada com um luthier, o francês Philippe (Simon Abkarian), e mãe de um filho de 13 anos, Jonas (Serafin Mishiev), Anna leva uma existência um tom abaixo de emoções cuidadosamente reprimidas. Ela deixou para trás uma incipiente carreira de concertista e, neste momento, vive uma frustração pessoal em seu casamento estável, mas em que o afeto parece rarefeito. 
 
As janelas que se abrem para que Anna encare seus desejos chegam na forma de um convite para integrar uma pequena orquestra de cordas,liderada pelo celista Christian (Jens Albinus), e um novo aluno na academia em que leciona, o adolescente Alexander (Ilja Monti) - em cujas hesitações ela enxerga um espelho de si mesma, anos atrás.
A convivência com Christian traz à tona não só seu sonho reprimido de voltar a tocar em público como seus próprios desejos como mulher, o que culmina num envolvimento com o músico. Paralelamente, ela experiencia seu próprio confronto com um perfeccionismo renitente, que a leva a pressionar seu jovem aluno no limite.
 
O violino e sua complexidade tornam-se a metáfora precisa de um corpo e um rosto como o de Anna, numa busca aflita de expressão e transbordamento - uma jornada que o filme, não raro, retrata apenas através do rosto desta atriz refinada e de muitos recursos. 
 
De várias maneiras, o filme de Ina Weisse coloca em choque os mundos dissonantes desta mulher e dos homens que gravitam em torno dela, seja o marido delicado, mas de escasso afeto, seja o filho ciumento, o aluno calado ou o amante insistente. Todos eles têm em comum a dificuldade de expressar em palavras suas necessidades mais vitais - e esta é a grande tragédia de vidas que não alcançam seu pleno potencial. 
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