04/06/2026
Drama

À Sombra do Patíbulo

Fabrício del Dongo é um jovem idealista, cujo destino é traçado por outros. Sonha em conhecer Napoleão, mas é mandado para o seminário, mesmo apaixonado por uma jovem. Sua tia, também apaixonada por ele, trama para que o romance com a moça não se concretize.

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À Sombra do Patíbulo, de 1948, dirigido por Christian-Jaque, parte do romance A Cartuxa de Parma, de Stendhal, marco do realismo na literatura e publicado em 1839. É um cinema à moda antiga – o que não quer dizer ruim, mas o tipo de filme que foi execrado pelos jovens da Nouvelle Vague alguns anos depois. Uma produção esmerada, mas uma direção não muito criativa e com ênfase na história que conta. Nada disso é, na verdade, um grande problema.
 
O marquês Fabrício del Dongo (Gérard Philipe) é um nobre italiano apaixonado por Clelia Conti (Renée Faure), que também o ama, mas as convenções da época complicam o relacionamento entre os dois. Além disso, a jovem fez uma promessa à Virgem Maria, de que abandonaria seu amado se ele conseguisse fugir da prisão. A história de amor deles é fadada à infelicidade, especialmente quando a jovem aceita casar-se, cumprindo a ordem do pai, com um homem mais velho – afinal, ela prometera abrir mão do seu amor.
 
A outra ponta do triângulo amoroso é Gina (María Casares), tia de Fabrício, que se casa com o duque Sanseverina, um homem bem mais velho do que ela, mas é apaixonada pelo sobrinho. Com a ajuda de seu amigo, o conde Mosca (Tullio Carminati), arma um plano para que o rapaz entre para o seminário em Nápoles e volte a Parna, numa posição de poder na hierarquia religiosa.
 
O roteiro, assinado pelo diretor e Pierre Jarry, é obrigado, obviamente, a deixar de fora alguns acontecimentos da vida dos personagens que constam do romance original, apesar das quase 3 horas de filme, concentrando-se na história entre Fabrício e Clelia, seus encontros e desencontros. Ainda assim, muito da criação de Stendhal está em cena aqui, e a direção de Christian-Jaque é eficiente sem fazer julgamentos morais das personagens e suas escolhas.
 
A bela fotografia em preto e branco – assinada por Anchise Brizzi, G.R. Aldo e Nicolas Hayer – foi premiada no Festival de Locarno e ressalta com o jogo de luz o mundo de sombras e incertezas onde se movem as personagens, no momento em que Napoleão está no poder e Fabrício, no começo do filme, ao menos, é jovem e idealista, vendo no Imperador uma figura admirável, uma ideia que poderá mudar com o tempo.
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