16/06/2026
Comédia

A Oitava Esposa de Barba Azul

O banqueiro americano Michael Brandon apaixona-se por Nicole De Loiselle, uma jovem francesa, filha de um nobre decadente. Ela acaba aceitando casar-se com ele mas, quando descobre que é sua oitava esposa, decide que dará um jeito no marido.

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A acidez de A Oitava Esposa de Barba Azul talvez fosse um pouco demais para as mentes de 1938, quando o filme foi lançado. Dirigido por Ernst Lubitsch, a partir do roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett, esse é um filme marcado por diálogos e situações de duplo sentido, o que talvez não tenha agradado muito à época – dada a recepção fria que recebeu.
 
Pode não ser dos melhores momentos de Lubitsch aqui, afinal, ele faz, realmente, o básico de suas comédias românticas. Mas é tudo tão bem feito e a química entre o casal central – Claudette Colbert e Gary Cooper – é tão boa, que tudo o mais está perdoado. Ele é Michael Brandon, um banqueiro americano viajando pela Riviera Francesa, que conhece Nicole De Loiselle, filha de um nobre falido, numa loja, quando queria comprar apenas o paletó de um pijama.
 
Ele logo se apaixona pela moça, mas não faz ideia de quem seja, até que, também, por acaso, conhece o pai dela (Edward Everett Horton), que está usando a parte de baixo do pijama, que ela comprou. Os quiproquós só começam aí. Nicole não quer se casar com ele – e ela ainda nem sabe que já teve outras sete esposas – mas, como ele é rico, acaba aceitando. Com uma condição: quando descobre ser a oitava, obriga-o a assinar um contrato milionário.
 
O filme é dividido claramente em duas partes, antes e depois do casamento, e como cada um dos personagens mudam depois do enlace. O dinheiro tem um papel central no filme, como o mediador de todas as relações, sejam familiares, de amizade ou amorosas. Nicole apenas se interessa de verdade por Michael quando descobre que ele tem dinheiro, mas só se deixa amar por ele quando ela passa a ter dinheiro.
 
É interessante também como a personagem feminina é construída, com iniciativa e sagacidade. Sua transformação, depois do casamento é a liberdade de estar fora do domínio do pai – ter um marido é só um detalhe. Os diálogos da dupla Wilder e Brackett claramente favorecem a ela, especialmente na segunda metade. A Oitava Esposa do Barba Azul, aliás, marcou a primeira parceria dos dois, que ainda escreveriam juntos Crepúsculo dos Deuses, Ninotchka e Farrapo Humano, entre outros.
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