19/07/2026
Drama

O Bastardo

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Logo de saída, na tela aparece um aviso: "Este não é um filme para crianças nem pessoas com fortes convicções religiosas". Sábia e honesta recomendação. Porque a história a seguir é carregada de violência gratuita contra uma criança, espancamentos, muitas cenas de sexo, alguns estupros e pelo menos um incesto. É certo que tudo isso e muito mais existe em Shakespeare, Nelson Rodrigues e nas páginas da melhor dramaturgia. Mas da maneira inconsistente como são agrupados aqui, esses elementos compõem não mais do que um novelão confuso, que visa aturdir os sentidos com belas e freqüentes cenas de sexo e engolir suas duas horas de projeção.

Inspirado num bestseller tailandês dos anos 60 com um clima meio O Direito de Nascer, chorosa novela brasileira de TV da mesma época, o filme conta a atormentada trajetória de Jan Dara, menino cuja mãe morre no parto e cujo suposto pai, Khun Luang (Santisuk Promsiri), dedica todo o seu tempo e energia a maltratá-lo com chibatadas e ofensas. Luang não se cansa de chamá-lo de "bastardo", um tratamento que também lhe será dedicado por Khun Kaew (Patharawarin Timkul), filha de Luang com a tia Waad (Vipavee Charoenpura), que criou Jan Dara como seu filho. Na verdade, Waad é a prima da mãe morta do menino e foi dominada pelo incansável apetite sexual do dono da casa, que transforma o ambiente num verdadeiro bordel.

Nesse antro de luxúria, as coisas finalmente se aquietam temporariamente com a entrada em cena da nova mulher de Luang, Khun Boonlueang (Christy Chung, a bela atriz canadense de Samsara). A madrasta encanta-se com o menino desprezado, agora um adolescente de 15 anos (Suwinit Panjamawat). Ele, apesar de apaixonado por uma jovem colega de escola, cederá ao jogo de sedução de Khun - numa sensual cena com uma pedra de gelo que deve algo a 9 ½ Semanas de Amor. É por causa desta seqüência que a censura tailandesa exigiu cortes que chegaram a atrasar o lançamento da fita naquele país.

O que filme tem de mais incômodo não é o erotismo, sempre filmado com uma elegância meio clichê, é verdade, em cenas banhadas de uma luz amarelada, ou de uma penumbra sugestiva, revelando a beleza de boa parte de seus protagonistas. É a falta de um arcabouço dramático capaz de carregar com convicção e verossimilhança a sordidez das relações familiares, a partir do ódio declarado entre Jan Dara e o pai adotivo. O mar de chavões novelescos afoga, assim, qualquer tentativa de um retrato mais humano dos personagens.

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