Apesar de já ter alguns anos – o filme é de 2018 e foi exibido no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo de 2019 –, Platamama traz questões ainda contemporâneas: a imigração de bolivianos para o Brasil, especialmente em São Paulo. Conforme contam os letreiros oficiais, eles saem de seu país em busca de melhores condições de vida, e, pelo baixo nível de instrução, são obrigados a aceitar empregos com baixos salários – isso quando não acabam trabalhando em condições análogas à escravidão, um fato bem conhecido.
O documentário de Alice Riff acompanha o cotidiano de uma família boliviana em São Paulo, desde momentos de intimidade em casa ao trabalho. A câmera da diretora não é nada intrusiva, apenas observa o seu redor as interações entre a família, como uma festa de aniversário ou as refeições. É nesse cotidiano e ambiente que o filme se dá.
Não fica muito clara a escolha por essa família e não outra. Talvez o que o filme queira dizer é que o cotidiano no Brasil, das famílias imigrantes da Bolívia, sejam sempre os mesmos. Mas poderia haver, então, outros e outras pessoas no filme para que isso ficasse mais claro. Além disso, não vemos como eles se relacionam com os brasileiros – figuras limadas da equação do filme.
Questões proeminentes, como o trabalho exploratório, também praticamente não aparecem no documentário. Sabemos disso porque sabemos. São assuntos que estão nos noticiários e são de conhecimento (ou deveriam ser) de todos. Aqui, Riff não mostra a contundência de filmes como Eleições, feito depois deste, no qual acompanha as eleições estudantis dentro de uma escola em São Paulo, um reflexo da votação presidencial no país em 2018.
