20/07/2026
Documentário

O território

Um grupo de agricultores se apropria de uma região protegida na Floresta Amazônica, por isso um jovem líder indígena e seu mentor se unem para lutar contra os invasores e proteger um grupo isolado que vive na selva.

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Quando O Território encerrou o Festival É Tudo Verdade, em abril passado, já acumulava  uma notável trajetória em festivais internacionais, tendo tido sua première mundial em Sundance, em janeiro, onde colheu dois prêmios: Prêmio do Público e Prêmio Especial do Júri na mostra World Cinema Documentary. Além disso, recebeu menção especial no CPH: Dox (Festival Internacional de Documentários de Copenhagen) e foi selecionado para o True/False Film Festival, no Missouri (EUA).
 
Estreante na direção, o norte-americano Alex Pritz compõe um filme que se nutre de uma estreita colaboração com a comunidade Uru-eu-Wau-Wau de Rondônia, cuja dramática luta contra grileiros e invasores de sua reserva ele retrata. 
 
A grande força do filme está na eleição de personagens que conseguem iluminar os muitos lados da questão, que a eleição de Jair Bolsonaro agravou drasticamente. É o caso da ativista ambiental Neidinha, que há anos apóia a luta dos indígenas, e torna-se, ela mesma, alvo de ameaças de grileiros e madeireiros que querem apossar-se de suas terras. Do outro lado estão indígenas como o jovem Bitaté que, aos 18 anos, foi escolhido como o novo líder e se empenha em usar novas tecnologias, como drones e câmeras, para retratar as invasões de grileiros e o desmatamento que promovem - que a FUNAI, mesmo alertada, não se mobiliza o suficiente para conter. 
 
Corajosamente, os realizadores focalizam também grileiros, como Sérgio, que se define como “agricultor” e organiza uma associação de produtores rurais cujo objetivo é tornar as invasões da reserva fato consumado, alegando inclusive que tem feito contatos com advogados e juiz para garantir um direito de posse. Ao contrário de outro grileiro, Martins, que parece mais isolado em sua ação igualmente predatória, Sérgio parece ter conexões com grandes proprietários rurais que mantêm fazendas de gado cercando o trecho de floresta onde se localiza a terra Uru-eu-Wau-Wau.
 
Captando a urgência da preservação da floresta amazônica e da vida dos indígenas - há casos de assassinatos ao longo da realização do filme -, o documentário acompanha o esforço de auto-defesa dos povos nativos para conter a ação dos invasores, num momento em que também a pandemia faz seu estrago entre eles, num outro caso de descaso e desassistência do governo federal. 
 
Por tudo isso, O Território é mais um título a desempenhar um papel extremamente importante não só para romper o isolamento e a invisibilidade a que os indígenas não raro são submetidos - e as filmagens lideradas por Bitaté são uma resposta apropriada a isto - como para denunciar a política do atual governo brasileiro, promovendo, por ação e omissão, uma verdadeira tentativa de genocídio contra os povos indígenas. 
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