02/09/2026
Comédia

Meu Primeiro Homem

Meu Primeiro Homem acompanha J., uma adolescente rebelde e solitária, que encontra no inesperado vínculo com Randy, um gerente de loja muito mais velho que ela, uma forma de enfrentar suas inseguranças e conflitos familiares. Entre humor e drama, o filme explora as dificuldades da juventude e a busca por compreensão e pertencimento.

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Educadores e psicólogos têm alertado sobre a crescente dificuldade de impor limites aos jovens, sobre sua arrogância que descamba para o desrespeito, sobre o consumo excessivo de drogas, principalmente o álcool, e sobre uma atitude de descaso, do tipo "tanto faz". Essa tendência virou pauta rotineira de palestras e congressos, na quais muitos pais mostram-se cada vez mais despreparados para enfrentar a frustração dos filhos.

O tema, tão caro a pedagogos e terapeutas de plantão, chega agora às telas brasileiras na forma de uma "comédia/melodrama". Pode-se dizer isso, porque o novo filme de Christine Lahti, Meu Primeiro Homem, dá tantas reviravoltas que é difícil classificá-lo com muita segurança.

Trata-se da história de uma adolescente rebelde, problemática e sem amigos, J. (Leelee Sobieski) que sente-se atraída pelo careta e cinqüentão gerente de uma loja de roupas masculinas, Randy (Albert Brooks), onde arruma um emprego. Os dois acabam desenvolvendo uma relação de amizade e dependência, dentro da velha linha de opostos complementares. Dessa forma, J. reflete a geração de jovens que não sabe lidar com a própria insegurança, frustação ou dor.

Apesar da relevância do tema, o filme se perde no fraco roteiro e na composição equivocada dos personagens, a começar pela protagonista. Retratada como uma esquisita que se veste de preto e se autoflagela, J. sofre com a distância dos pais, personagens igualmente mal concebidos, beirando o ridículo. Sequer é explicado de forma convincente o interesse que Randy desperta na garota, ponto de partida do filme.

Mesmo com a reviravolta, que torna o filme um melodrama sentimental, nada leva o espectador a se envolver na trama, exceto por alguns diálogos engraçados. Não se justifica então, como esta produção foi selecionada para a sessão de abertura do Sundance Film Festival de 2001. Sem pretensões, poderia ser muito bem lançada apenas em vídeo ou pela TV a cabo.

O que se pode extrair ao ver o filme é que, independente de seu talento como atriz e dos prêmios que recebeu como diretora do curta Lieberman in Love, Christine Lahti ainda vai ter de aprender muito para não decepcionar seu público novamente.

Cineweb-13/12/2002

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