19/07/2026
Comédia

Os Suburbanos

Morando no subúrbio do Rio, Jefinho tem uma banda de pagode e aspira à fama. Ele trabalha como piscineiro para uma família rica, e tem um caso com a dona da casa para convencê-la a entregar um CD demo ao marido, dono de uma gravadora.

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Partindo da série de televisão homônima, Os suburbanos leva ao cinema um humor de gosto duvidoso, numa comédia rasteira sem qualquer tipo de elaboração, que apenas reforça estereótipos de classe e raça. Com direção de Luciano Sabino – das novelas A dona do pedaço e América – o filme tem como protagonista Jefinho, interpretado por Rodrigo Sant'anna, que também assina o roteiro, com Denise Crispum.
 
Jefinho é um suburbano carioca que tem um grupo de pagode, sonha com a fama, mas trabalha limpando a piscina de uma mansão. Ele tem um caso com a patroa, Lorena (Cristiana Oliveira), o que em si já garante cenas bizarras, como, ainda no começo do filme, ela está na banheira e o chama para entrar com ela. Ele está nu, mas usa uma gravata que fica ereta. Qual a graça disso?
 
Lorena é casada com JP (Paulo Cesar Grande), dono de uma gravadora, e Jefinho só tem um caso com Lorena para que ela entregue ao marido um CD da banda ele. O protagonista não tem o menor tino para vocalista, mas o dono da voz na banda é considerado feio por eles, por isso não pode ficar à frente na banda.
 
No subúrbio, a vida é marcada por clichês de novela. A boa mulher Avoia (Mariah da Penha), que adotou Jefinho e Wellington (Babu Santana), empresário da banda, e vive em dificuldades. A mulher do protagonista, Gislene (Carla Cristina Cardoso), exagerada no figurino e barraqueira. E há também os membros da banda, que quase são figurantes.
 
Sant’anna faz um tipo de humor sem esforço para elevar-se o mínimo acima do escatológico. Falando como uma metralhadora giratória, é impossível entender boa parte do que ele diz – não que as falas sejam tão elaboradas mas, ainda assim... Os suburbanos só reforça uma visão enviesada da periferia com a desculpa de ser engraçada, ou mesmo lúdica – embora, é claro, não seja. As personagens são destituídas de qualquer humanidade, são clichês ambulantes vistos sob a ótica de uma elite que se diverte com isso. As intenções podem ser nobres – dar voz a esses excluídos – mas o resultado os transforma em chacota.
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