Ao assumir a franquia Halloween, o diretor David Gordon Green retomou a série a partir do primeiro filme, de 1978, ignorou as diversas sequências, reboots e afins, e tentou resgatar as personagens centrais do limbo quase parodiesco que tinham caído. Apesar da boa vontade, nunca funcionou direito. Halloween Ends supostamente coloca um fim na história – conforme o spoiler do título – mas será mesmo que a Universal Picture vai matar essa galinha dos ovos de ouro?
Laurie (Jamie Lee Curtis), que havia morrido no filme de 1998, Halloween H20: Vinte anos depois, agora vive com sua neta, Allyson (Andi Matichak), depois da morte dos pais da garota. Tentando lidar com o trauma, a heroína da série escreve um livro da série contando sua história, repleto de frases de efeito e algo de autoajuda disfarçado.
Halloween Ends, o tal canto do cisne de Laurie e Michael Myers, é um filme estranho, pois os tira do protagonismo. A dupla é mera coadjuvante para um novo personagem: Corey (Rohan Campbell), um rapaz tímido, que trabalha como babá para juntar dinheiro para fazer faculdade de engenharia. Mas, já no prólogo, numa noite de Halloween, ele mata acidentalmente, após um acesso de raiva, o menino de quem estava cuidando.
A partir daí, o filme tenta cruzar a história dele com a de Laurie, já que ambos vivem na mesma pequena cidade, passaram por um grande trauma e são maltratados pelas pessoas que ali vivem. É a própria Laurie quem o aproxima de Allyson, pois, para ela, os dois podem ajudar um ao outro a lidar com as feridas do passado.
Nesse momento, Halloween Ends se transforma numa espécie de Assassinos por natureza, pois Corey e Allyson tomam gosto pela violência e perversidade para se vingar da cidade que sempre praticou bullying contra eles. O rapaz tem contato com Michael Myers, que está vivendo no esgoto e parece, de alguma forma não explicada, o mal que habita no assassino.
O roteiro, assinado por Paul Brad Logan, é desgovernado, indo de uma trama a outra sem se importar muito em criar elos mais sólidos. Sua fascinação está na transformação de Corey, de rapaz tonto de bom coração a um assassino frio e vingador. Mas não há densidade no personagem que justifique sua mudança – nada faz muito sentido ali. Michael Meyers, por sua vez, pouco aparece em cena e, quando está em ação, é sempre em algum lugar escuro, mal se vêem seu rosto e sua matança.
