04/06/2026
Documentário

Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft

Katia e Maurice Krafft se conheceram na universidade. Logo se apaixonaram e descobriram um interesse em comum: vulcões. Ao longo de suas vidas juntos, viajaram pelo mundo estudando essas estruturas geológicas.

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Produzido pela National Geographic, este poderia ser apenas mais um documentário para televisão com imagens bonitas de natureza e narração monocórdica para assistir em casa, num fim de noite sem muita expectativa. Porém, o que vê na tela é uma história de amor de um casal por vulcões e de um pelo outro. Além disso, há, obviamente, poderosas e belas imagens que eles captaram ao longo dos anos em suas expedições, até sua morte juntos, enquanto filmavam uma erupção em junho de 1991, no Japão.
 
Os franceses Katia e Maurice Krafft conheceram-se na universidade, em 1966, e logo perceberam que compartilhavam a paixão por estudar vulcões. Casaram-se, decidiram que não teriam filhos e saíram pelo mundo investigando erupções, lavas, arredores de vulcões e afins. Ela era uma geoquímica, e ele, um geólogo. Ao mesmo tempo, ele fazia documentários sobre o trabalho, e ela tirava fotos. As imagens captadas por ele são de uma beleza e força impressionantes.
 
A diretora Sara Dosa sabe muito bem combinar o conteúdo humano com o científico dessa história – as descobertas deles sobre esse assunto tão nebuloso são importantes até hoje, e já salvaram milhares de vidas, como mostra o filme. Entre um vulcão e outro soltando lava, o filme também investiga essa história de amor, comprometimento e cumplicidade. Eles eram duas pessoas excêntricas que, em algumas cenas, parecem saídas de um filme de Wes Anderson.
 
As imagens dos documentários dele foram restauradas, mas não a ponto de parecerem algo digital - por exemplo, há ainda uma espécie de “envelhecimento”, que lhes confere charme e atemporalidade. Já a história de amor deles é delicada e emocionante. Eles se complementavam, como profissionais e como seres humanos. Vulcões... é capaz de converter em sua narrativa diversas dimensões do casal Krafft. 
 
Narrado por Miranda July, com montagem premiada em Sundance e assinada por Erin Casper e Jocelyne Chaput, este é um filme de beleza e melancolia. Logo na primeira cena, ficamos sabendo que eles morreram enquanto filmavam uma erupção que foi mais forte do que o previsto. Ao final, quando nos é dito que as marcas dos pés de Katia e Maurice estavam lado a lado, é devastador. 
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