A premissa do coreano Ligação Explosiva é genérica – e adaptada do alemão Direção Explosiva, de 2018. Um gerente de alto escalão de um banco de investimentos está levando seus filhos para a escola, numa manhã qualquer, antes do trabalho, e recebe uma ligação: há duas bombas em seu carro, se ele se levantar ou alguém sair do veículo, elas explodem.
Woo-jin Jo interpreta o protagonista, Sung Gyu, um homem rico, que trabalha demais e tem pouco tempo para a família, conforme aponta sua filha adolescente, Hye In (Jae-in Lee), que está no carro, no banco traseiro, ao lado do caçula. Os primeiros minutos servem para estabelecer essa ligação fraturada entre a família. Antes de sair de casa, também se percebe que as coisas com a esposa (Ji-ho Kim) não andam muito bem.
O diretor Changju Kim, que também assina a adaptação do roteiro, não perde muito tempo, e logo um celular misterioso toca dentro do porta-luvas do carro. Sung, intrigado com o aparelho, o atende, e descobre sobre as bombas. Se ele não acredita nessa história, ao ver o carro de um colega explodir ao seu lado, percebe o que realmente está acontecendo. Para desativar as bombas, o sequestrador pede uma fortuna em dinheiro – e até o final do filme saberemos o motivo.
Diversão retrô à la Velocidade Máxima, Ligação Explosiva pouco se interessa na verossimilhança. Há lances pouco plausíveis e excessivamente melodramáticos em alguns momentos, mas o filme é capaz de manter a tensão nas alturas em tempo integral. O fato de o protagonista ser um homem comum, numa situação extraordinária, traz mais elementos de suspense bem explorados pelo filme, que só derrapa mesmo quando tenta tornar-se um drama em sua resolução.
