20/07/2026
Documentário

35 - O Assalto ao Poder

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Durante um dos períodos políticos mais efervescentes do mundo no século XX, o Partido Comunista do Brasil começava a ensaiar seus primeiros passos. De 1922, data de sua fundação, até o ato mais ousado já perpetrado pelos "comunas" - como pejorativamente sempre foram chamados - em 1935, sua trajetória foi recheada de euforia, erros e poucos acertos.

Com um rico material documental em mãos, o diretor Eduardo Escorel fez um documentário sóbrio na linguagem, mas com um roteiro recheado de informações e discussão sobre a verdadeira história da Insurreição de 35, ou como preferiam os detentores do poder de então, a Intentona - termo jocoso que visava a redução da importância deste episódio que mudaria o rumo da história política do país.

O documentário é dividido em duas partes: prelúdios e levantes. Na primeira parte o roteiro situa para o espectador o turbilhão de mudanças que ocorriam no mundo, mas em particular na política nacional. São mais de quarenta minutos de farto material para traçar um perfil das convulsões sociais e levantes anteriores que culminaram na revolta de oficiais do Exército, muitos deles preparados pelo PCB.

Com a decretação da Lei de Segurança Nacional, um ato de violência perpetrado por Getúlio Vargas, vários focos de resistência foram aparecendo nos mais diversos locais do país. Entremeado por depoimentos dos remanescentes do movimento e por intelectuais renomados, fotos e imagens da tentativa de tomar o poder das mãos do autoritário presidente conduzem a narrativa. E o destaque maior fica com o lendário líder comunista Luiz Carlos Prestes - da Coluna Prestes, exílio na Colômbia e Argentina, seu retorno ao país, adesão ao PCB, sua estada na URSS, a sua volta para a preparação da revolução, sua prisão e sua libertação em 1945.

A narração do ator Paulo Betti, do texto vigoroso de Sérgio Augusto e Eduardo Escorel, costura de maneira firme as imagens históricas e os depoimentos, uns utilizados de arquivos e outros coletados durante os anos de 1994/95 e 2001/02. A maioria são de acadêmicos, mas os melhores momentos são os propiciados pelos veteranos participantes da rebelião, que dão uma clara e concisa versão para este importante momento da história nacional, que teve fortes conseqüências políticas até um passado próximo.

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